Olá apaixonados por Cultura!!!
Por favor, mandem suas dúvidas através dos comentários que vou fazer uma entrevistas com os organizadores da expomonte. comentem até quinta-feira(24-03).
Beijos no coração!
João Elder
Informações recentes sobre a História de Monte Alegre de Minas e também, fotos antigas e atuais de nossa cidade!
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Biblioteca nova! Uhuuuuuuuuuuuuu!!!!!!
Notícia boaaaaa!!!!
Logo, logo iniciará a construção da nova Biblioteca Rui Barbosa que será construída no fundo do terreno da atual biblioteca.... aguardem que teremos muiiiiitas novidades com esta nova sede!!!!!
Atenção leitores fanáticos! em breve a leitura de voces ficará muuuuuuito mais interessante!!!!
Beijos no coração!
João Elder
Logo, logo iniciará a construção da nova Biblioteca Rui Barbosa que será construída no fundo do terreno da atual biblioteca.... aguardem que teremos muiiiiitas novidades com esta nova sede!!!!!
Atenção leitores fanáticos! em breve a leitura de voces ficará muuuuuuito mais interessante!!!!
Beijos no coração!
João Elder
Resumindo galera!!!
Todos os textos postados estão disponíveis na sede do Departamento Municipal de Cultura e Turismo e também na Biblioteca Municipal Rui Barbosa... Bons estudos...Assim que tiver novidades na área cultural de Monte Alegre passo em primeira mão pra vocês!!! beijos no coração...
João Elder
João Elder
Banda Municipal Maestro Victal Reis
A Banda Maestro Victal dos Reis foi fundada em 1.920 pelo maestro Hildebrando dos Reis, a princípio denominada Banda Musical Santa Cecília. Em 1.920, o maestro Hildebrando Reis, Coletor Federal e Adjunto Promotor de Justiça residia com sua família no município de Prata - MG e contou com a colaboração do músico Monte alegrense “Juquinha Pontes” para fundação e coordenação da Banda e dos ensaios na sua ausência.
Com a transferência oficial do maestro Hildebrando dos Reis para Monte Alegre, no ano de 1.925, o mesmo assume definitivamente a Banda Musical Santa Cecília, tendo o músico “Juquinha Pontes” como contra – mestre.
No período das décadas de 1.920, 30 e 40, a Banda Santa Cecília apresentava-se em festas religiosas, cívicas além de apresentações dominicais em praça pública. Por ser uma das únicas Bandas de Música da região do Triângulo Mineiro, a Banda Musical Santa Cecília era bastante requisitada nas cidades da região para recepções de políticos, bispos e inaugurações como achegada da Luz Elétrica da cidade de Itumbiara – GO, além dos festejos de emancipação política das cidades de Centralina – MG e Canápolis – MG, desmembradas de Monte Alegre de Minas.
Em 1.941, o maestro Hildebrando dos Reis fora transferido de Monte Alegre de Minas – MG para cidade de Nova Ponte – MG, com seu cargo de Coletor Federal. O maestro Hildebrando Reis que sempre manteve uma escola de música da Banda Musical conseguiu formar inúmeras crianças e jovens na música, especialmente seus filhos, filhas e netos.
Com a transferência do maestro Hildebrando em 1.941, o mesmo transfere a regência e o comando da Banda para seu filho mais velho, o maestro Victal Reis, que regeu e coordenou a Banda de 1.941 até 1.991, ano de seu falecimento.
No ano de 1.966, por força da Lei Municipal Nº. 613 de 19 de abril de 1.966, o então Prefeito Municipal Paulo Bernardes municipaliza a Banda Santa Cecília, que passa a ser denominada Banda Municipal “União Montealegrense Santa Cecília”. Acredita-se que o nome “União Montealegrense”, escolhido pelo Prefeito Paulo Bernardes originou-se pela união dos músicos da Banda Santa Cecília com músicos da Banda São João, regida pelo maestro João Del’ Izola, no qual o então Prefeito Paulo Bernardes foi trompetista da Banda São João, fundada na década de 40, portanto uma vez desativada a Banda São João, teriam seus músicos migrado para a Banda Santa Cecília, em plena atividade.
Na década de 1.950, a Banda foi convidada a recepcionar o ex. Governador do Estado de Minas Gerais e então candidato a Presidência da República Juscelino Kubstcheck.
Com o falecimento do Maestro Victal Reis em 1.991, a Banda Santa Cecília tem suas atividades interrompidas temporariamente. No ano de 1.993, o maestro Augusto dos Reis, também filho do maestro Hildebrando Reis retorna de Brasília – DF com sua família, para residir em Monte Alegre de Minas, após curta temporada fora, sendo então convidado pelo então Prefeito Municipal Dr. Ciro Araújo Mendonça para assumir a regência da Banda Municipal, mantendo assim, a tradição familiar à frente da Banda. Neste período, foi organizada a documentação legal da Banda, instituída uma diretoria regular e criado o CNPJ da banda, tornando-a uma instituição com personalidade jurídica.
Em homenagem ao maestro Victal Reis, o então prefeito Eurípedes Lima sanciona a Lei Municipal Nº. 1.646 de 17 de novembro de 1.992, alterando o nome da Banda Municipal “União Montealegrense Santa Cecília” para Banda Municipal Maestro Victal Reis.
A Câmara Municipal, em 1.999 declara a Banda Victal Reis de utilidade Pública Municipal pela Lei Nº. 1899 de 31 de maio de 1999.
Em novembro de 2.001, a Prefeitura Municipal corta o repasse de subvenção social destinada à Banda e por força do memorando 010/2002, o então Prefeito Municipal Aécio Dantas de Souza anuncia oficialmente a suspensão por tempo indeterminado das atividades da Banda Municipal Maestro Victal Reis, ficando esta Banda desativada até o final de seu mandato.
Em 2.005, assume a prefeitura o atual Prefeito Municipal Dr. Último Bitencourt de Freitas, que nomeia ao cargo de Diretor Municipal de Cultura e Turismo o Maestro Leonardo Augusto Reis (neto do fundador da Banda e filho do Maestro Augusto dos Reis), além de ser nomeado oficialmente o novo maestro da Banda.
A partir de 2005, a Banda funciona regularmente com músicos amadores e atende às atividades culturais, cívicas e religiosas da cidade. Os ensaios da Banda ocorrem 3 vezes na semana no período noturno sendo uma hora de duração cada ensaio.
Desde o ano de 2008 a Banda faz apresentações de marchinhas no palco de shows, relembrando os antigos carnavais da cidade onde eram realizados por músicos da Banda.
Com a transferência oficial do maestro Hildebrando dos Reis para Monte Alegre, no ano de 1.925, o mesmo assume definitivamente a Banda Musical Santa Cecília, tendo o músico “Juquinha Pontes” como contra – mestre.
No período das décadas de 1.920, 30 e 40, a Banda Santa Cecília apresentava-se em festas religiosas, cívicas além de apresentações dominicais em praça pública. Por ser uma das únicas Bandas de Música da região do Triângulo Mineiro, a Banda Musical Santa Cecília era bastante requisitada nas cidades da região para recepções de políticos, bispos e inaugurações como achegada da Luz Elétrica da cidade de Itumbiara – GO, além dos festejos de emancipação política das cidades de Centralina – MG e Canápolis – MG, desmembradas de Monte Alegre de Minas.
Em 1.941, o maestro Hildebrando dos Reis fora transferido de Monte Alegre de Minas – MG para cidade de Nova Ponte – MG, com seu cargo de Coletor Federal. O maestro Hildebrando Reis que sempre manteve uma escola de música da Banda Musical conseguiu formar inúmeras crianças e jovens na música, especialmente seus filhos, filhas e netos.
Com a transferência do maestro Hildebrando em 1.941, o mesmo transfere a regência e o comando da Banda para seu filho mais velho, o maestro Victal Reis, que regeu e coordenou a Banda de 1.941 até 1.991, ano de seu falecimento.
No ano de 1.966, por força da Lei Municipal Nº. 613 de 19 de abril de 1.966, o então Prefeito Municipal Paulo Bernardes municipaliza a Banda Santa Cecília, que passa a ser denominada Banda Municipal “União Montealegrense Santa Cecília”. Acredita-se que o nome “União Montealegrense”, escolhido pelo Prefeito Paulo Bernardes originou-se pela união dos músicos da Banda Santa Cecília com músicos da Banda São João, regida pelo maestro João Del’ Izola, no qual o então Prefeito Paulo Bernardes foi trompetista da Banda São João, fundada na década de 40, portanto uma vez desativada a Banda São João, teriam seus músicos migrado para a Banda Santa Cecília, em plena atividade.
Na década de 1.950, a Banda foi convidada a recepcionar o ex. Governador do Estado de Minas Gerais e então candidato a Presidência da República Juscelino Kubstcheck.
Com o falecimento do Maestro Victal Reis em 1.991, a Banda Santa Cecília tem suas atividades interrompidas temporariamente. No ano de 1.993, o maestro Augusto dos Reis, também filho do maestro Hildebrando Reis retorna de Brasília – DF com sua família, para residir em Monte Alegre de Minas, após curta temporada fora, sendo então convidado pelo então Prefeito Municipal Dr. Ciro Araújo Mendonça para assumir a regência da Banda Municipal, mantendo assim, a tradição familiar à frente da Banda. Neste período, foi organizada a documentação legal da Banda, instituída uma diretoria regular e criado o CNPJ da banda, tornando-a uma instituição com personalidade jurídica.
Em homenagem ao maestro Victal Reis, o então prefeito Eurípedes Lima sanciona a Lei Municipal Nº. 1.646 de 17 de novembro de 1.992, alterando o nome da Banda Municipal “União Montealegrense Santa Cecília” para Banda Municipal Maestro Victal Reis.
A Câmara Municipal, em 1.999 declara a Banda Victal Reis de utilidade Pública Municipal pela Lei Nº. 1899 de 31 de maio de 1999.
Em novembro de 2.001, a Prefeitura Municipal corta o repasse de subvenção social destinada à Banda e por força do memorando 010/2002, o então Prefeito Municipal Aécio Dantas de Souza anuncia oficialmente a suspensão por tempo indeterminado das atividades da Banda Municipal Maestro Victal Reis, ficando esta Banda desativada até o final de seu mandato.
Em 2.005, assume a prefeitura o atual Prefeito Municipal Dr. Último Bitencourt de Freitas, que nomeia ao cargo de Diretor Municipal de Cultura e Turismo o Maestro Leonardo Augusto Reis (neto do fundador da Banda e filho do Maestro Augusto dos Reis), além de ser nomeado oficialmente o novo maestro da Banda.
A partir de 2005, a Banda funciona regularmente com músicos amadores e atende às atividades culturais, cívicas e religiosas da cidade. Os ensaios da Banda ocorrem 3 vezes na semana no período noturno sendo uma hora de duração cada ensaio.
Desde o ano de 2008 a Banda faz apresentações de marchinhas no palco de shows, relembrando os antigos carnavais da cidade onde eram realizados por músicos da Banda.
Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
A libertação da escravatura, ocorrido em 13 de maio de 1.888 é o marco referencial das Congadas e Moçambiques de Monte Alegre de Minas. É nessa data que ainda hoje acontece o ápice dos festejos a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, nesse município.
Refletimos que através da libertação, os negros começaram a expressar publicamente suas origens culturais. Com o passar dos anos os Ternos se organizaram mais, despertando e envolvendo a comunidade montealegrense. Gradativamente conquistaram o respaldo da comunidade branca. Esse respaldo, em Monte Alegre de Minas, transformou-se em participação dos brancos na Festa.
Existem contradições relativas ao ano de fundação da Festa no município, considerado entre 1.883 ou 1.888. Percebemos que essa contradição assemelha-se a questão da fundação e emancipação do município. Comemoramos o aniversário da cidade através da sua data de emancipação política não por sua fundação, que desconhecemos com exatidão e data.
Cremos que em 1.883 os negros realizavam seus rituais em pequenos grupos. Expressavam-se por meio da dança, cantoria e percussões africanizadas. Tinham que conviver com as imposições e perseguições do ritualismo cristão dos seus senhores. A partir de 1.888, libertos, “emancipados”, fizeram-se presentes, afirmando-se nas práticas sociais visíveis a todos, permanecendo até os dias de hoje no 13 de maio.
Culturalmente em Monte Alegre de Minas as Congadas e Moçambiques ainda podem ser consideradas o símbolo da resistência negra.
Os valores e a práticas expressadas por eles contagiam e envolvem os brancos, mas continuam sendo originalmente fundamentados nas tradições africanas. Segundo Luiz Carlos do Carmo, mestre em história, “ a independência, o advento da República, a construção das formas embrionárias de urbanização, as diversas expansões da fronteira de desbravamento e exploração das riquezas naturais deste país, entre outros momentos, conviveram com fragmentos de lembranças da Dança com a Serpente ou com as Espadas, com a fé, a confiança na intercessão de São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora do Rosário e outros Santos e Orixás de contato simples e sintonia direta desse grupo de homens e mulheres negras e de seus antepassados”.
O Sr. Zecão um dos capitães mais velhos, nos conta que aprendeu com seu pai que a Festa começou na “roça”, num lugar chamado “poção”. Ele relatou que “o povo saia da cidade a pé ou de cavalo par ir ver e ouvir as batidas e as cantorias”. Segundo Zecão as indumentárias eram simples, usavam “precatas” nos pés e construíam seus próprios instrumentos. Era costume vir Ternos de Uberabinha (Uberlândia), pela estrada boiadeira para participar dos festejos, onde caminhavam léguas a pé e levavam até dois dias para chegar ao local da festa.
Por falta de registros oficiais da época, atualmente é divulgado o ano de fundação como sendo 1883, podendo na verdade ser mais ou menos anos, não sabemos ao certo. Pode-se, porém afirmar pelos relatos ouvidos que a Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é o manifesto cultural mais antigo do município. A festa mantém-se envolvente e significativa, proporcionalmente ao desenvolvimento do município, ela envolve grande participação popular direta e ou indiretamente. É possível afirmar ainda que considerando-se as intervenções de adequação, ela mantém 80% das características originais. As tradições dos festejos são perpetuadas de uma geração a outra. Os conhecimentos são transmitidos de Capitão para soldado, ou do mais velho para o mais novo, ou do pai para filho e na falta deste para um parente mais próximo, ou até para um dos integrantes do Terno interessado em dar continuidade as tradições.
Vivendo suas devoções a nossa Senhora do Rosário e São Benedito, os Congadeiros e Moçambiques de Monte Alegre de Minas, num ritual reafirmando suas tradições. Ora resistindo as mudanças da modernidade e ou adaptando-se a ela, ora sobrevivendo às divergências de idéias entre os próprios membros dos Ternos. Congadeiros e Moçambiqueiros sonham, lutam, trabalham hoje numa grande miscigenação de raças, isso os diferenciam de outros Ternos de cidades vizinhas. Há ternos compostos de uma maioria branca, inclusive o Capitão, como o Terno Dona Senhorinha (congado), Terno Estrela da Guia de São Benedito (Moçambique). A participação também de homossexuais, candomblecistas e outros fazem com que os festejos em Monte Alegre de Minas tenha um sentido de igualdade social, econômica, religiosa e racial, diferenciando a festa de outras comunidades próximas. Na Festa, ricos e pobres se misturam, dançando ou assistindo, isso torna a festa uma manifestação democrática e participativa, segundo a observação de estudiosos e pesquisadores que comparecem na realização da festa.
Não se pode negar em momento algum a origem dos ancestrais fundadores da festa que são os negros, mas é incontestável a reconstrução de identidade presente nesta manifestação. Ela ecoa o regime governamental presente na sua forma democrática que independe da cor, credo, condições econômicas, são adequações sofridas com o passar dos anos, refletidas também pela miscigenação do povo brasileiro.
Essas adequações oscilam-se num constante questionamento feito entre os mentores da festa (a qual não nos cabe responder no momento) até que ponto essas mudanças devem ser aceitas para que não haja a descaracterização total da festa?
A inclusão dos brancos na festa de negros ocorreu gradativamente, com ampliação do número de integrantes e a formação de novos Ternos. Houve um período na história dos Congados e Moçambiques de Monte Alegre de Minas, que a figura de um homem branco, espiritualista, de família tradicional montealegrense o Sr. Eliziário de Vasconcelos, o popular “Caboclo”, exerceu papel de liderança na Festa.
Ele abraçou as causas da Festa, passou a orientar e estruturar os Ternos, tornando-se posteriormente um coordenador geral da Festa. O Caboclo, como preferia ser chamado, dedicou grande parte da sua vida à auxiliar os velhos Capitães Congadeiros e Moçambiqueiros. Segundo depoimentos dos seus familiares e amigos, ele montou um quartel para reunir os Ternos, fazer a chamada entre outros rituais e pela Festa trabalhou até seus últimos dias de vida.
Em respeito a sua memória a praça em frente ao citado quartel, recebeu o seu nome e ainda hoje no dia 8 de maio (data de seu aniversário), os ternos se reúnem no seu entorno para lhe prestar homenagens.
Do ponto de vista cultural e sociológico, notamos uma costumeira divergência entre os Ternos e as vezes entre os próprios integrantes de um mesmo Terno. Esse fato tornou-se evidente nos últimos anos (desde 1.989) quando foi criado o Movimento de Participação Popular da Comunidade Negra Montealegrense. Paralelamente foi criado também o Serviço Municipal de Cultura (hoje Departamento de Cultura e Turismo) pela Prefeitura de Monte Alegre de Minas. O movimento e o Setor de Cultura passaram a acessorar a organização dos festejos, mantendo-se ainda a efetiva participação da Igreja Católica nas celebrações. Durante as reuniões ficaram evidenciadas as diferenças de opiniões e anseios entre os participantes, como normalmente acontecem em grupos muitos numerosos. Enquanto uns pediam por mudanças na Programação da Festa, outros preferiam mantê-los nos parâmetros já estabelecidos.
O fato é que havia dois Ternos de Congados, o Camisa Rosa e o Branco e o Terno de Moçambique Camisa Rosa. Nesse período, segundo o Sr. Zecão e o Sr. Verdiano, os ensaios não eram em quartéis, tinham como referência o “Poção”, na Zona rural. Ali de um lado ensaiava o terno de Congado Branco, do outro lado no “areião” (hoje Rua Vitório Alessandri), ensaiava o Terno de Congado Camisa Rosa, que nasceu na “Ponte Queimada” perto da atual “Biquinha da Serrinha”, próximo ao atual Bairro Chapada. O Sr. Zecão conta que quando a Capitã Maria do Braz do Terno de Congado Camisa Rosa, faleceu, o Sr. Prudêncio assumiu o lugar de 1° Capitão do Terno e o levou para Rua Bento Gonçalves (Bairro Flamengo que era chamado popularmente de “Cundungo” . O Sr. João Messias que era 2° capitão não concordou com a mudança feita pelo 1° Capitão (Prudêncio) e montou o Terno de Congado Azul Claro, no Bairro Chapada, com as crianças ali da redondeza. Desde aquela época até a atualidade os Bairros Flamengo e Chapada, concentram-se a maior parte da comunidade negra montealegrense.
Existe a menção de que no período entre 1.923 a 1.926, havia a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a “Egreja do Rosário”. Segundo a Dona Horades Parreira Guerra, nessa época seus pais foram festeiros e serviam o café da manhã da alvorada na sua residência. Nota-se então que o numero de componentes dos Ternos, não era tão volumoso quanto é nos dias atuais. Segundo a Sra. Antonieta Rosa da Silva, zeladora da atual Igreja Nossa Senhora do Rosário, a antiga “Egreja do Rosário” ficava no quarteirão onde atualmente é a Praça do Fórum. Sua construção não chegou a ser 100% concluída, era somente barreada, sem pintura. Foi edificada com doações de vacas, sacas de feijão, arroz que os Capitães Braz, Prudêncio e Antônio, vendiam e aplicavam o dinheiro arrecadado na construção.
Naquela época faziam nela rezas de terços e quem puxava a reza era o Sr. Norato Arantes. Antonieta disse ainda que por volta de 1.945 ela foi derrubada para no mesmo local ser construído um campo de aviação. Chegaram a colocar o coador, “Biruta”, mas o terreno acabou se transformando num campo de futebol que originou o Triângulo Sport Club. Em conseqüência a Festa tomou outros rumos, buscando o auxílio permanente da paróquia local e sua realização passou a ter como referência a Igreja Matriz São Francisco das Chagas. A partir de 1.974 com a chegada do Frei Beniamino em Monte Alegre de Minas, o novo pároco inicialmente promoveu concursos durante a Festa, para incentivar a organização entre os Ternos. Eles procuravam melhorar as indumentárias e competiam nas apresentações, mas segundo a Sra. Benedita Vieira, secretária da Casa Paroquial desde aquela época, os premiados ficavam envaidecidos, enquanto os outros não aceitavam pacificamente a derrota e partiam para agressões verbais e físicas contra os componentes “adversários”. Foi então nesse mesmo período, implantado o desfile dos Ternos descendo a Avenida 16 de setembro no dia 13 de maio. Em conseqüência dos constantes atritos conflituosos entre os Ternos, a Igreja recuou. Deixou-se de promover o concurso e dando liberdade para os Ternos se organizarem ao seu modo, passou a ocupar-se apenas da novena e os rituais celebrativos religiosos. As divergências diminuíram, mas devido ao excesso de consumo de água ardente pelos dançantes durante a Festa, houve novo atrito entre os Ternos e o Padre. Foi proibido a entrada de pessoas embriagadas dentro da Igreja, e bater caixa no seu interior.
Mais tarde houve novas desavenças pelo não cumprimento do horário, sempre conflitante, do término do desfile com o início da celebração no dia 13 de maio.
A Festa sofreu outra intervenção, através da introdução de repasse de verbas da Prefeitura para auxiliar os Ternos na alimentação, indumentárias e instrumentos. A partir de 1.989 a Prefeitura com o respaldo da Câmara Municipal, começou a fazer repasses ao Movimento de Participação Popular da Comunidade Negra Montealegrense, através do Serviço Municipal de Cultura (hoje Departamento Municipal de Cultura e Turismo) ambos criados naquele período. Para efetivar os repasses o Movimento Negro, através da sua Presidente a Sra. Vera Lúcia Costa Silva, organizou a documentação dos Ternos, as quais mais tarde manifestaram descontentamento, pois alegaram não ter em sua posse seus próprios documentos. A Sra. Vera, defendia-se por outro lado, argumentando que não lhes entregava por medida de conservação dos mesmos.
Aumentou assim gradativa e lentamente as mudanças nas tradições dos rituais, alterando a cada ano a programação da Festa. A maioria dos Ternos deixou de “tirar esmola”, pois já contavam com a verba do poder público; surgiram encontros previamente agendados nos quartéis, para facilitar o acompanhamento da comunidade e visitantes; alterou o trajeto do desfile, o local de levantar os mastros e a celebração da novena, com as obras da nova Igreja de Nossa Senhora do Rosário (concluída em 2.007); o café servido pelos festeiros após as alvoradas (dia 4 inicio da novena e 13 seu encerramento) passou para locais públicos mais amplos, para melhor acomodação dos Ternos. Permaneceu como questão polêmica da Festa, o desfile do dia 13 de maio. A definição da ordem dos Ternos, feita por sorteio, quase sempre desagrada os que ficam por último e a definição do horário quase nunca é cumprida no seu momento de iniciar e encerrar. Segundo os organizadores, alguns Ternos “amarram” o desfile quando não ficam na ordem desejada.
Refletimos que através da libertação, os negros começaram a expressar publicamente suas origens culturais. Com o passar dos anos os Ternos se organizaram mais, despertando e envolvendo a comunidade montealegrense. Gradativamente conquistaram o respaldo da comunidade branca. Esse respaldo, em Monte Alegre de Minas, transformou-se em participação dos brancos na Festa.
Existem contradições relativas ao ano de fundação da Festa no município, considerado entre 1.883 ou 1.888. Percebemos que essa contradição assemelha-se a questão da fundação e emancipação do município. Comemoramos o aniversário da cidade através da sua data de emancipação política não por sua fundação, que desconhecemos com exatidão e data.
Cremos que em 1.883 os negros realizavam seus rituais em pequenos grupos. Expressavam-se por meio da dança, cantoria e percussões africanizadas. Tinham que conviver com as imposições e perseguições do ritualismo cristão dos seus senhores. A partir de 1.888, libertos, “emancipados”, fizeram-se presentes, afirmando-se nas práticas sociais visíveis a todos, permanecendo até os dias de hoje no 13 de maio.
Culturalmente em Monte Alegre de Minas as Congadas e Moçambiques ainda podem ser consideradas o símbolo da resistência negra.
Os valores e a práticas expressadas por eles contagiam e envolvem os brancos, mas continuam sendo originalmente fundamentados nas tradições africanas. Segundo Luiz Carlos do Carmo, mestre em história, “ a independência, o advento da República, a construção das formas embrionárias de urbanização, as diversas expansões da fronteira de desbravamento e exploração das riquezas naturais deste país, entre outros momentos, conviveram com fragmentos de lembranças da Dança com a Serpente ou com as Espadas, com a fé, a confiança na intercessão de São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora do Rosário e outros Santos e Orixás de contato simples e sintonia direta desse grupo de homens e mulheres negras e de seus antepassados”.
O Sr. Zecão um dos capitães mais velhos, nos conta que aprendeu com seu pai que a Festa começou na “roça”, num lugar chamado “poção”. Ele relatou que “o povo saia da cidade a pé ou de cavalo par ir ver e ouvir as batidas e as cantorias”. Segundo Zecão as indumentárias eram simples, usavam “precatas” nos pés e construíam seus próprios instrumentos. Era costume vir Ternos de Uberabinha (Uberlândia), pela estrada boiadeira para participar dos festejos, onde caminhavam léguas a pé e levavam até dois dias para chegar ao local da festa.
Por falta de registros oficiais da época, atualmente é divulgado o ano de fundação como sendo 1883, podendo na verdade ser mais ou menos anos, não sabemos ao certo. Pode-se, porém afirmar pelos relatos ouvidos que a Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é o manifesto cultural mais antigo do município. A festa mantém-se envolvente e significativa, proporcionalmente ao desenvolvimento do município, ela envolve grande participação popular direta e ou indiretamente. É possível afirmar ainda que considerando-se as intervenções de adequação, ela mantém 80% das características originais. As tradições dos festejos são perpetuadas de uma geração a outra. Os conhecimentos são transmitidos de Capitão para soldado, ou do mais velho para o mais novo, ou do pai para filho e na falta deste para um parente mais próximo, ou até para um dos integrantes do Terno interessado em dar continuidade as tradições.
Vivendo suas devoções a nossa Senhora do Rosário e São Benedito, os Congadeiros e Moçambiques de Monte Alegre de Minas, num ritual reafirmando suas tradições. Ora resistindo as mudanças da modernidade e ou adaptando-se a ela, ora sobrevivendo às divergências de idéias entre os próprios membros dos Ternos. Congadeiros e Moçambiqueiros sonham, lutam, trabalham hoje numa grande miscigenação de raças, isso os diferenciam de outros Ternos de cidades vizinhas. Há ternos compostos de uma maioria branca, inclusive o Capitão, como o Terno Dona Senhorinha (congado), Terno Estrela da Guia de São Benedito (Moçambique). A participação também de homossexuais, candomblecistas e outros fazem com que os festejos em Monte Alegre de Minas tenha um sentido de igualdade social, econômica, religiosa e racial, diferenciando a festa de outras comunidades próximas. Na Festa, ricos e pobres se misturam, dançando ou assistindo, isso torna a festa uma manifestação democrática e participativa, segundo a observação de estudiosos e pesquisadores que comparecem na realização da festa.
Não se pode negar em momento algum a origem dos ancestrais fundadores da festa que são os negros, mas é incontestável a reconstrução de identidade presente nesta manifestação. Ela ecoa o regime governamental presente na sua forma democrática que independe da cor, credo, condições econômicas, são adequações sofridas com o passar dos anos, refletidas também pela miscigenação do povo brasileiro.
Essas adequações oscilam-se num constante questionamento feito entre os mentores da festa (a qual não nos cabe responder no momento) até que ponto essas mudanças devem ser aceitas para que não haja a descaracterização total da festa?
A inclusão dos brancos na festa de negros ocorreu gradativamente, com ampliação do número de integrantes e a formação de novos Ternos. Houve um período na história dos Congados e Moçambiques de Monte Alegre de Minas, que a figura de um homem branco, espiritualista, de família tradicional montealegrense o Sr. Eliziário de Vasconcelos, o popular “Caboclo”, exerceu papel de liderança na Festa.
Ele abraçou as causas da Festa, passou a orientar e estruturar os Ternos, tornando-se posteriormente um coordenador geral da Festa. O Caboclo, como preferia ser chamado, dedicou grande parte da sua vida à auxiliar os velhos Capitães Congadeiros e Moçambiqueiros. Segundo depoimentos dos seus familiares e amigos, ele montou um quartel para reunir os Ternos, fazer a chamada entre outros rituais e pela Festa trabalhou até seus últimos dias de vida.
Em respeito a sua memória a praça em frente ao citado quartel, recebeu o seu nome e ainda hoje no dia 8 de maio (data de seu aniversário), os ternos se reúnem no seu entorno para lhe prestar homenagens.
Do ponto de vista cultural e sociológico, notamos uma costumeira divergência entre os Ternos e as vezes entre os próprios integrantes de um mesmo Terno. Esse fato tornou-se evidente nos últimos anos (desde 1.989) quando foi criado o Movimento de Participação Popular da Comunidade Negra Montealegrense. Paralelamente foi criado também o Serviço Municipal de Cultura (hoje Departamento de Cultura e Turismo) pela Prefeitura de Monte Alegre de Minas. O movimento e o Setor de Cultura passaram a acessorar a organização dos festejos, mantendo-se ainda a efetiva participação da Igreja Católica nas celebrações. Durante as reuniões ficaram evidenciadas as diferenças de opiniões e anseios entre os participantes, como normalmente acontecem em grupos muitos numerosos. Enquanto uns pediam por mudanças na Programação da Festa, outros preferiam mantê-los nos parâmetros já estabelecidos.
O fato é que havia dois Ternos de Congados, o Camisa Rosa e o Branco e o Terno de Moçambique Camisa Rosa. Nesse período, segundo o Sr. Zecão e o Sr. Verdiano, os ensaios não eram em quartéis, tinham como referência o “Poção”, na Zona rural. Ali de um lado ensaiava o terno de Congado Branco, do outro lado no “areião” (hoje Rua Vitório Alessandri), ensaiava o Terno de Congado Camisa Rosa, que nasceu na “Ponte Queimada” perto da atual “Biquinha da Serrinha”, próximo ao atual Bairro Chapada. O Sr. Zecão conta que quando a Capitã Maria do Braz do Terno de Congado Camisa Rosa, faleceu, o Sr. Prudêncio assumiu o lugar de 1° Capitão do Terno e o levou para Rua Bento Gonçalves (Bairro Flamengo que era chamado popularmente de “Cundungo” . O Sr. João Messias que era 2° capitão não concordou com a mudança feita pelo 1° Capitão (Prudêncio) e montou o Terno de Congado Azul Claro, no Bairro Chapada, com as crianças ali da redondeza. Desde aquela época até a atualidade os Bairros Flamengo e Chapada, concentram-se a maior parte da comunidade negra montealegrense.
Existe a menção de que no período entre 1.923 a 1.926, havia a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a “Egreja do Rosário”. Segundo a Dona Horades Parreira Guerra, nessa época seus pais foram festeiros e serviam o café da manhã da alvorada na sua residência. Nota-se então que o numero de componentes dos Ternos, não era tão volumoso quanto é nos dias atuais. Segundo a Sra. Antonieta Rosa da Silva, zeladora da atual Igreja Nossa Senhora do Rosário, a antiga “Egreja do Rosário” ficava no quarteirão onde atualmente é a Praça do Fórum. Sua construção não chegou a ser 100% concluída, era somente barreada, sem pintura. Foi edificada com doações de vacas, sacas de feijão, arroz que os Capitães Braz, Prudêncio e Antônio, vendiam e aplicavam o dinheiro arrecadado na construção.
Naquela época faziam nela rezas de terços e quem puxava a reza era o Sr. Norato Arantes. Antonieta disse ainda que por volta de 1.945 ela foi derrubada para no mesmo local ser construído um campo de aviação. Chegaram a colocar o coador, “Biruta”, mas o terreno acabou se transformando num campo de futebol que originou o Triângulo Sport Club. Em conseqüência a Festa tomou outros rumos, buscando o auxílio permanente da paróquia local e sua realização passou a ter como referência a Igreja Matriz São Francisco das Chagas. A partir de 1.974 com a chegada do Frei Beniamino em Monte Alegre de Minas, o novo pároco inicialmente promoveu concursos durante a Festa, para incentivar a organização entre os Ternos. Eles procuravam melhorar as indumentárias e competiam nas apresentações, mas segundo a Sra. Benedita Vieira, secretária da Casa Paroquial desde aquela época, os premiados ficavam envaidecidos, enquanto os outros não aceitavam pacificamente a derrota e partiam para agressões verbais e físicas contra os componentes “adversários”. Foi então nesse mesmo período, implantado o desfile dos Ternos descendo a Avenida 16 de setembro no dia 13 de maio. Em conseqüência dos constantes atritos conflituosos entre os Ternos, a Igreja recuou. Deixou-se de promover o concurso e dando liberdade para os Ternos se organizarem ao seu modo, passou a ocupar-se apenas da novena e os rituais celebrativos religiosos. As divergências diminuíram, mas devido ao excesso de consumo de água ardente pelos dançantes durante a Festa, houve novo atrito entre os Ternos e o Padre. Foi proibido a entrada de pessoas embriagadas dentro da Igreja, e bater caixa no seu interior.
Mais tarde houve novas desavenças pelo não cumprimento do horário, sempre conflitante, do término do desfile com o início da celebração no dia 13 de maio.
A Festa sofreu outra intervenção, através da introdução de repasse de verbas da Prefeitura para auxiliar os Ternos na alimentação, indumentárias e instrumentos. A partir de 1.989 a Prefeitura com o respaldo da Câmara Municipal, começou a fazer repasses ao Movimento de Participação Popular da Comunidade Negra Montealegrense, através do Serviço Municipal de Cultura (hoje Departamento Municipal de Cultura e Turismo) ambos criados naquele período. Para efetivar os repasses o Movimento Negro, através da sua Presidente a Sra. Vera Lúcia Costa Silva, organizou a documentação dos Ternos, as quais mais tarde manifestaram descontentamento, pois alegaram não ter em sua posse seus próprios documentos. A Sra. Vera, defendia-se por outro lado, argumentando que não lhes entregava por medida de conservação dos mesmos.
Aumentou assim gradativa e lentamente as mudanças nas tradições dos rituais, alterando a cada ano a programação da Festa. A maioria dos Ternos deixou de “tirar esmola”, pois já contavam com a verba do poder público; surgiram encontros previamente agendados nos quartéis, para facilitar o acompanhamento da comunidade e visitantes; alterou o trajeto do desfile, o local de levantar os mastros e a celebração da novena, com as obras da nova Igreja de Nossa Senhora do Rosário (concluída em 2.007); o café servido pelos festeiros após as alvoradas (dia 4 inicio da novena e 13 seu encerramento) passou para locais públicos mais amplos, para melhor acomodação dos Ternos. Permaneceu como questão polêmica da Festa, o desfile do dia 13 de maio. A definição da ordem dos Ternos, feita por sorteio, quase sempre desagrada os que ficam por último e a definição do horário quase nunca é cumprida no seu momento de iniciar e encerrar. Segundo os organizadores, alguns Ternos “amarram” o desfile quando não ficam na ordem desejada.
Casarão da Família Villela Parreira
A história deste Bem se confunde com a história política de Monte Alegre, em especial no que diz respeito ao seu Processo de emancipação política e instalação da Câmara Municipal de Monte Alegre.
Antônio Fernandes Villela de Andrade foi vereador do município de Prata durante o processo de emancipação política de Monte Alegre em 16 de setembro de 1870 e não se pode esquecer que Monte Alegre pertencia à Prata e por este motivo, acredita-se que Antônio Fernandes já residia em Monte Alegre e já teria construído seu casarão quando a cidade foi emancipada. Após este ato, o Presidente da Câmara Municipal de Prata, vereador Joaquim Fernandes de Rezende nomeou o vereador Antônio Fernandes Villela de Andrade para ser Presidente da Câmara de Monte Alegre, sendo esta Instalada em 16 de novembro de 1872.
Outros pesquisadores acreditam que com este cargo, Antônio Fernandes se instala com a família, neste período, em Monte Alegre e assim, constrói sua residência, hoje Tombada como Patrimônio Histórico. Desta forma, acredita-se que o referido Imóvel tenha cerca de 137 anos aproximadamente. Porém, a atual moradora, Elba Villela Parreira, bisneta de Antônio Fernandes, assim como seu irmão José Gladstone Villela Parreira acredita que este já morava em Monte Alegre mesmo sendo vereador no município de Prata, uma vez que Monte Alegre pertencia ao município de Prata e desta forma, Elba Villela acredita que o imóvel foi construído em aproximadamente 1865 e teria assim, quase 145 anos.
Indícios de esta hipótese ser verdadeira é que Antônio Fernandes Villela nasceu em Monte Alegre em 1835 segundo registros de fundação da Loja Maçônica Estrela Montealegrense.
Desta forma, o Bem tem entre 137 a 150 anos de construção, não se sabe ao certo. Há pesquisadores que atribui o período de 1850 como período da construção, considerando o estilo arquitetônico. Certo é que a falta de um documento impede a comprovação real e fortalecem as divergências de pensamentos entre familiares e pesquisadores. O Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico em pesquisa, após dados documentais da Loja Maçônica e relatos da família, afirma que realmente Antônio Fernandes nasceu em Monte Alegre em 1835 e aqui residiu, construindo o Imóvel em 1865. O período de 1850 a 1865 é curto e acredita-se que a característica arquitetônica não teria sofrido muitas alterações com fortes características Coloniais.
A ala residencial da edificação, sempre foi utilizada como residência, porém contém ainda outra ala que no passado foi destinada a comércio.
Neste prédio residiu o seu construtor, Antônio Fernandes Villela, primeiro homem público de Monte alegre de Minas até sua morte, em 1907.
Antônio Fernandes Villela de Andrade foi um antigo e influente político do município que esteve no poder no período de 1872 a 1876 e reeleito no período de 1885 a 1889. Antônio Villela foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal (Agente executivo) do município.
Atualmente, são também os descendentes de Antônio Fernandes Villela de Andrade, proprietários do imóvel por sucessão, que ali residem, inclusive utilizando como parte da residência a ala destinada anteriormente ao uso comercial.
Desde a construção da casa, em todo o cômodo comercial, com cerca de 200 m² de área útil, achava-se instalada uma loja de gêneros diversos, cuja administração era do proprietário do imóvel. Posteriormente, a partir de 1925, instalou-se ali, uma farmácia, de propriedade do sucessor de Antônio Fernandes Villela de Andrade, e a qual ali permaneceu por cerca de 30 anos.
Uma neta de Antônio Fernandes Villela, senhora Dulce Villela Parreira, casou-se com Nicanor Parreira que também foi um influente político da cidade e residente do casarão. Nicanor Parreira, que era farmacêutico, foi Agente Executivo no período de 1927 a 1929. Em 1930 os Agentes Executivos tornaram-se prefeitos e Nicanor Parreira foi o primeiro prefeito de Monte Alegre de Minas e ficou no poder no período de 1930 a 1945, reeleito no período de março a dezembro de 1946 e volta à prefeitura no período de 1948 a 1951. Após todos estes anos no executivo, Nicanor Parreira volta a ser vereador até a década de 60.
O primeiro prefeito da cidade, Nicanor Parreira, comprou o Bem de seu sogro e residiu neste prédio com sua família. Nicanor além de manter no prédio a sua farmácia, transformou o prédio em anexo da Prefeitura Municipal na década de 30, onde funcionavam gabinetes e locais de atendimentos públicos.
Uma das filhas de Nicanor Parreira, senhora Laércia Parreira casou-se com o senhor Militão Flávio Soares e o casal instalou, noutros cômodos anexos ao casarão, os Correios e Telégrafos da União.
Portanto, na história do Bem Cultural, este Casarão serviu de residência da Família Villela Parreira, Prefeitura Municipal, farmácia e Correios e Telégrafos. Todas as utilizações foram para atender interesses profissionais da Família Villela Parreira.
O referido Bem Cultural é uma das mais antigas edificações da cidade com arquitetura de característica Colonial.
Com esta influência política do primeiro proprietário, Antônio Fernandes Villela de Andrade e o segundo proprietário, Nicanor Parreira e ainda, sabendo que este casarão já funcionou como prefeitura, comércio e Correios, durante estes anos, tornam-se visíveis as conclusões de que a edificação foi local de grandes decisões políticas e históricas de Monte Alegre de Minas, ou até mesmo regionais.
Um acontecimento cômico e histórico acontecido no Casarão e que foi motivo de lembrança aos antigos instrumentistas da Banda de música da cidade, fundada em 1920 pelo Maestro Hildebrando dos Reis, foi na década de 30 quando o Maestro Hildebrando, muito amigo do Prefeito e irmãos da maçonaria, resolveu levar a Banda de Música para prestigiar o amigo Prefeito Nicanor Parreira em data de seu aniversário. Nesta ocasião, a banda tocando na porta de entrada do casarão, o Prefeito Nicanor Parreira convidou os músicos a entrarem no Casarão tocando, com satisfação pela homenagem. Ao entrarem, um dos músicos, conhecido como Américo Fogueteiro, fabricante de fogos de artifícios, e deficiente auditivo, tocando o Bumbo, escorregou no tapete da sala, levando uma grande queda. Porém, para não permitir que a Banda parasse de tocar logo na música em homenagem ao Prefeito, permaneceu ao chão tocando. O fato é que os demais músicos não conseguiram continuar a tocar e todos riram bastante. Porém, posteriormente tocaram outras músicas e foram muito bem recebidos pelo Prefeito Municipal Nicanor Parreira, inclusive voltaram em outras ocasiões. Este ato foi relatado pelo Maestro Augusto Reis que se lembra do episódio emocionado, uma vez que era muito jovem e músico da Banda fundada por seu pai.
Atualmente reside no imóvel uma filha de Nicanor Parreira, senhora Elba Vilela Parreira de Sousa, com seu esposo Divino Souza, portanto bisneta do primeiro proprietário do Bem.
Um dos filhos de Nicanor Parreira, Dr. José Gladstone Vilela Parreira responsabiliza-se pelas despesas de tributos e manutenção do imóvel, que a partir de agora, por Lei, o Imóvel passa a ser isento de tributos municipais (IPTU) em virtude do Tombamento. Residente na capital mineira, Belo Horizonte, Dr. Gladstone visita constantemente Monte Alegre de Minas hospedando-se no Casarão da família. Recentemente Dr. Gladstone proporcionou ao Casarão uma reforma na fachada e no interior do prédio com uma pintura e restauro do imóvel.
Durante nossa pesquisa, encontramos inúmeros dados históricos marcantes para a sociedade monte alegrense, contemporâneos aos períodos de atuação política dos proprietários do Bem e, considerando que muitos destes dados históricos teriam sido elaborados e até mesmo firmados no interior deste Imóvel, julgamos apropriado para este Dossiê mencionar as passagens históricas e políticas nos períodos de gestão de Antônio Fernandes Vilela de Andrade e Nicanor Parreira. Os leitores poderão ver tais registros através do Dossiê de Tombamento na íntegra que será publicado na Biblioteca Municipal.
Antônio Fernandes Villela de Andrade foi vereador do município de Prata durante o processo de emancipação política de Monte Alegre em 16 de setembro de 1870 e não se pode esquecer que Monte Alegre pertencia à Prata e por este motivo, acredita-se que Antônio Fernandes já residia em Monte Alegre e já teria construído seu casarão quando a cidade foi emancipada. Após este ato, o Presidente da Câmara Municipal de Prata, vereador Joaquim Fernandes de Rezende nomeou o vereador Antônio Fernandes Villela de Andrade para ser Presidente da Câmara de Monte Alegre, sendo esta Instalada em 16 de novembro de 1872.
Outros pesquisadores acreditam que com este cargo, Antônio Fernandes se instala com a família, neste período, em Monte Alegre e assim, constrói sua residência, hoje Tombada como Patrimônio Histórico. Desta forma, acredita-se que o referido Imóvel tenha cerca de 137 anos aproximadamente. Porém, a atual moradora, Elba Villela Parreira, bisneta de Antônio Fernandes, assim como seu irmão José Gladstone Villela Parreira acredita que este já morava em Monte Alegre mesmo sendo vereador no município de Prata, uma vez que Monte Alegre pertencia ao município de Prata e desta forma, Elba Villela acredita que o imóvel foi construído em aproximadamente 1865 e teria assim, quase 145 anos.
Indícios de esta hipótese ser verdadeira é que Antônio Fernandes Villela nasceu em Monte Alegre em 1835 segundo registros de fundação da Loja Maçônica Estrela Montealegrense.
Desta forma, o Bem tem entre 137 a 150 anos de construção, não se sabe ao certo. Há pesquisadores que atribui o período de 1850 como período da construção, considerando o estilo arquitetônico. Certo é que a falta de um documento impede a comprovação real e fortalecem as divergências de pensamentos entre familiares e pesquisadores. O Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico em pesquisa, após dados documentais da Loja Maçônica e relatos da família, afirma que realmente Antônio Fernandes nasceu em Monte Alegre em 1835 e aqui residiu, construindo o Imóvel em 1865. O período de 1850 a 1865 é curto e acredita-se que a característica arquitetônica não teria sofrido muitas alterações com fortes características Coloniais.
A ala residencial da edificação, sempre foi utilizada como residência, porém contém ainda outra ala que no passado foi destinada a comércio.
Neste prédio residiu o seu construtor, Antônio Fernandes Villela, primeiro homem público de Monte alegre de Minas até sua morte, em 1907.
Antônio Fernandes Villela de Andrade foi um antigo e influente político do município que esteve no poder no período de 1872 a 1876 e reeleito no período de 1885 a 1889. Antônio Villela foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal (Agente executivo) do município.
Atualmente, são também os descendentes de Antônio Fernandes Villela de Andrade, proprietários do imóvel por sucessão, que ali residem, inclusive utilizando como parte da residência a ala destinada anteriormente ao uso comercial.
Desde a construção da casa, em todo o cômodo comercial, com cerca de 200 m² de área útil, achava-se instalada uma loja de gêneros diversos, cuja administração era do proprietário do imóvel. Posteriormente, a partir de 1925, instalou-se ali, uma farmácia, de propriedade do sucessor de Antônio Fernandes Villela de Andrade, e a qual ali permaneceu por cerca de 30 anos.
Uma neta de Antônio Fernandes Villela, senhora Dulce Villela Parreira, casou-se com Nicanor Parreira que também foi um influente político da cidade e residente do casarão. Nicanor Parreira, que era farmacêutico, foi Agente Executivo no período de 1927 a 1929. Em 1930 os Agentes Executivos tornaram-se prefeitos e Nicanor Parreira foi o primeiro prefeito de Monte Alegre de Minas e ficou no poder no período de 1930 a 1945, reeleito no período de março a dezembro de 1946 e volta à prefeitura no período de 1948 a 1951. Após todos estes anos no executivo, Nicanor Parreira volta a ser vereador até a década de 60.
O primeiro prefeito da cidade, Nicanor Parreira, comprou o Bem de seu sogro e residiu neste prédio com sua família. Nicanor além de manter no prédio a sua farmácia, transformou o prédio em anexo da Prefeitura Municipal na década de 30, onde funcionavam gabinetes e locais de atendimentos públicos.
Uma das filhas de Nicanor Parreira, senhora Laércia Parreira casou-se com o senhor Militão Flávio Soares e o casal instalou, noutros cômodos anexos ao casarão, os Correios e Telégrafos da União.
Portanto, na história do Bem Cultural, este Casarão serviu de residência da Família Villela Parreira, Prefeitura Municipal, farmácia e Correios e Telégrafos. Todas as utilizações foram para atender interesses profissionais da Família Villela Parreira.
O referido Bem Cultural é uma das mais antigas edificações da cidade com arquitetura de característica Colonial.
Com esta influência política do primeiro proprietário, Antônio Fernandes Villela de Andrade e o segundo proprietário, Nicanor Parreira e ainda, sabendo que este casarão já funcionou como prefeitura, comércio e Correios, durante estes anos, tornam-se visíveis as conclusões de que a edificação foi local de grandes decisões políticas e históricas de Monte Alegre de Minas, ou até mesmo regionais.
Um acontecimento cômico e histórico acontecido no Casarão e que foi motivo de lembrança aos antigos instrumentistas da Banda de música da cidade, fundada em 1920 pelo Maestro Hildebrando dos Reis, foi na década de 30 quando o Maestro Hildebrando, muito amigo do Prefeito e irmãos da maçonaria, resolveu levar a Banda de Música para prestigiar o amigo Prefeito Nicanor Parreira em data de seu aniversário. Nesta ocasião, a banda tocando na porta de entrada do casarão, o Prefeito Nicanor Parreira convidou os músicos a entrarem no Casarão tocando, com satisfação pela homenagem. Ao entrarem, um dos músicos, conhecido como Américo Fogueteiro, fabricante de fogos de artifícios, e deficiente auditivo, tocando o Bumbo, escorregou no tapete da sala, levando uma grande queda. Porém, para não permitir que a Banda parasse de tocar logo na música em homenagem ao Prefeito, permaneceu ao chão tocando. O fato é que os demais músicos não conseguiram continuar a tocar e todos riram bastante. Porém, posteriormente tocaram outras músicas e foram muito bem recebidos pelo Prefeito Municipal Nicanor Parreira, inclusive voltaram em outras ocasiões. Este ato foi relatado pelo Maestro Augusto Reis que se lembra do episódio emocionado, uma vez que era muito jovem e músico da Banda fundada por seu pai.
Atualmente reside no imóvel uma filha de Nicanor Parreira, senhora Elba Vilela Parreira de Sousa, com seu esposo Divino Souza, portanto bisneta do primeiro proprietário do Bem.
Um dos filhos de Nicanor Parreira, Dr. José Gladstone Vilela Parreira responsabiliza-se pelas despesas de tributos e manutenção do imóvel, que a partir de agora, por Lei, o Imóvel passa a ser isento de tributos municipais (IPTU) em virtude do Tombamento. Residente na capital mineira, Belo Horizonte, Dr. Gladstone visita constantemente Monte Alegre de Minas hospedando-se no Casarão da família. Recentemente Dr. Gladstone proporcionou ao Casarão uma reforma na fachada e no interior do prédio com uma pintura e restauro do imóvel.
Durante nossa pesquisa, encontramos inúmeros dados históricos marcantes para a sociedade monte alegrense, contemporâneos aos períodos de atuação política dos proprietários do Bem e, considerando que muitos destes dados históricos teriam sido elaborados e até mesmo firmados no interior deste Imóvel, julgamos apropriado para este Dossiê mencionar as passagens históricas e políticas nos períodos de gestão de Antônio Fernandes Vilela de Andrade e Nicanor Parreira. Os leitores poderão ver tais registros através do Dossiê de Tombamento na íntegra que será publicado na Biblioteca Municipal.
Sede da Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa – “Antiga Caixa D’água”
O edifício foi construído durante os anos de 1915 e 1916 conforme inscrição feita na fachada principal.
De acordo com a historiadora e pesquisadora Vanda Pereira da Cunha, entre 1915 e 1916, na gestão do Agente Executivo e Presidente da Câmara José Caetano Machado, foi construído um moderníssimo, (para a época) “Sistema de abastecimento de água”, para a cidade. Foi construída uma represa na região do município intitulada “Poção” e, na cidade, foi construído um reservatório que passou a ser conhecido como a “Caixa D’água”.
Na parte externa do prédio, há a inscrição dos anos de construção do imóvel e no interior, o corpo administrativo da época vem com os nomes em relevo nas paredes do fundo: Administrador Dr. F. Paes Leme; Presidente José Caetano Machado; Joaquim Cruz Construtor; Vereadores: Manoel P. de Faria, Dr. José Rezende, Francisco Cardozo, Vicente Meireles, Azarias de Souza, José M. Guimarães, que supomos sejam os vereadores que cumpriram mandato em 1915 (estão registrados do lado esquerdo, na parede do fundo). Do lado direito, os vereadores que supomos ter atuado em 1916: Alexandre Guimarães, Abadio Leite, João R. de Castro, Manoel P. de Faria, Dr. José Rezende, Anísio Villela.
Dois fatos levam a crer ser o cada conjunto (inscrições do lado direito e lado esquerdo) a formação da Câmara Municipal de cada ano (1915 e 1916) pelo fato de haver repetição de nomes e serem sete vereadores, contando com o Presidente que aparece no meio dos dois lados de inscrição dos nomes. Sete era o número de vereadores que compunham a câmara Municipal naquela época.
Seu uso original, a partir da inauguração em 1916 abrigava o reservatório de água potável que abastecia a cidade de Monte Alegre. Este uso perdurou por vários anos até sua desativação uma vez que sua capacidade e localização já não atendiam às necessidades do sistema municipal de distribuição de água. Após isso, o prédio ficou durante décadas sem uso até ser adaptado para a instalação da Biblioteca Pública no ano de 1997.
Em maio de 1927, foram empossadas cinco pessoas para quatro cargos diferentes: Luis Dutra Alvim, redator chefe do órgão oficial do município “O Lábaro”; José Ribeiro Guimarães, “nomeado para exercer a função de Secretário Diretor da Câmara; Valdomiro pereira da Silva, “nomeado para exercer as funções do cargo de Fiscal Geral”; Theotonio Joaquim de Macedo, “nomeado para exercer as funções do cargo de Zelador do Jardim Público” e Honorato Arantes, “nomeado para exercer as funções do cargo de Zelador da Água Potável”.
Em primeiro de julho de 1927, Fausto Borges foi empossado no cargo de Zelador da Água Potável. Não há registros nos arquivos públicos se Honorato Arantes, que fora nomeado para o mesmo cargo foi demitido ou se ficaram os dois exercendo a mesma função.
No ano de 1928 os dirigentes municipais eram duros no trato com os servidores municipais relapsos, como se vê, no caso de uma portaria, a de n º 13 de 10 de julho de 1928 que “chama a atenção do zelador da água potável:”vem com a presente chamar a atenção do Sr. Sebastião José de Faria, zelador da água potável, para o melhor cumprimento de seu dever.”
No início da década de 70, gestão do Prefeito Municipal Ademar Delfino de Moura, com o crescimento da cidade, o abastecimento de água da cidade torna-se insuficiente, o que motivou o prefeito a ampliar o sistema de abastecimento e assim, desativando o abastecimento existente neste imóvel construído de 1915 a 1916.
Com a construção de novo abastecimento de água o prédio ficou abandonado até final da década de 80, quando no final da gestão do prefeito Eurípedes Lima Andreani, em 1992, o Prédio sofreu um intervenção.
Nesta intervenção, foram descaracterizadas as janelas, substituídas as de madeira e colocadas outras metálicas com vidros nas cores azul e amarelo, cores políticas adotadas pela administração Andreani. Os detalhes da fachada também receberam influências das cores políticas do prefeito, pintadas de azul claro.
No período de 1993 a 1996, gestão do Prefeito Municipal Dr. Ciro de Araújo Mendonça a edificação serviu de sede da Banda Municipal Maestro Victal Reis, bem como Escola de Música da Banda Municipal, sob a direção do Maestro Augusto dos Reis.
Para instalação da Biblioteca Pública em 1997, segunda gestão do Prefeito Eurípedes Lima Andreani, foram feitas várias intervenções descaracterizantes que comprometeram a estética original do edifício como corrimão na escadaria, construção nos fundos de uma copa e banheiro, bem como a frase “Biblioteca Municipal na frente do prédio com letras grandes no jardim. Também foram instalados três mastros na frente da fachada principal para colocação de bandeiras.
A autoria do projeto original é atribuída ao Sr. Luiz Bianchi, arquiteto prático residente em Monte Alegre e responsável pelo projeto de vários outros prédios construídos na mesma época com o mesmo estilo arquitetônico. Com relação a seu construtor é atribuído como responsável pela execução o Sr. Joaquim Cruz cujo nome esta inscrito em uma das paredes da edificação.
O importante no histórico deste Bem é que o mesmo foi projetado por um Arquiteto Prático de nacionalidade Italiana que trouxe da Europa suas características arquitetônicas em todos os Bens que projetou, bem como o Construtor de nacionalidade portuguesa que completou a visão européia do arquiteto.
De acordo com a historiadora e pesquisadora Vanda Pereira da Cunha, entre 1915 e 1916, na gestão do Agente Executivo e Presidente da Câmara José Caetano Machado, foi construído um moderníssimo, (para a época) “Sistema de abastecimento de água”, para a cidade. Foi construída uma represa na região do município intitulada “Poção” e, na cidade, foi construído um reservatório que passou a ser conhecido como a “Caixa D’água”.
Na parte externa do prédio, há a inscrição dos anos de construção do imóvel e no interior, o corpo administrativo da época vem com os nomes em relevo nas paredes do fundo: Administrador Dr. F. Paes Leme; Presidente José Caetano Machado; Joaquim Cruz Construtor; Vereadores: Manoel P. de Faria, Dr. José Rezende, Francisco Cardozo, Vicente Meireles, Azarias de Souza, José M. Guimarães, que supomos sejam os vereadores que cumpriram mandato em 1915 (estão registrados do lado esquerdo, na parede do fundo). Do lado direito, os vereadores que supomos ter atuado em 1916: Alexandre Guimarães, Abadio Leite, João R. de Castro, Manoel P. de Faria, Dr. José Rezende, Anísio Villela.
Dois fatos levam a crer ser o cada conjunto (inscrições do lado direito e lado esquerdo) a formação da Câmara Municipal de cada ano (1915 e 1916) pelo fato de haver repetição de nomes e serem sete vereadores, contando com o Presidente que aparece no meio dos dois lados de inscrição dos nomes. Sete era o número de vereadores que compunham a câmara Municipal naquela época.
Seu uso original, a partir da inauguração em 1916 abrigava o reservatório de água potável que abastecia a cidade de Monte Alegre. Este uso perdurou por vários anos até sua desativação uma vez que sua capacidade e localização já não atendiam às necessidades do sistema municipal de distribuição de água. Após isso, o prédio ficou durante décadas sem uso até ser adaptado para a instalação da Biblioteca Pública no ano de 1997.
Em maio de 1927, foram empossadas cinco pessoas para quatro cargos diferentes: Luis Dutra Alvim, redator chefe do órgão oficial do município “O Lábaro”; José Ribeiro Guimarães, “nomeado para exercer a função de Secretário Diretor da Câmara; Valdomiro pereira da Silva, “nomeado para exercer as funções do cargo de Fiscal Geral”; Theotonio Joaquim de Macedo, “nomeado para exercer as funções do cargo de Zelador do Jardim Público” e Honorato Arantes, “nomeado para exercer as funções do cargo de Zelador da Água Potável”.
Em primeiro de julho de 1927, Fausto Borges foi empossado no cargo de Zelador da Água Potável. Não há registros nos arquivos públicos se Honorato Arantes, que fora nomeado para o mesmo cargo foi demitido ou se ficaram os dois exercendo a mesma função.
No ano de 1928 os dirigentes municipais eram duros no trato com os servidores municipais relapsos, como se vê, no caso de uma portaria, a de n º 13 de 10 de julho de 1928 que “chama a atenção do zelador da água potável:”vem com a presente chamar a atenção do Sr. Sebastião José de Faria, zelador da água potável, para o melhor cumprimento de seu dever.”
No início da década de 70, gestão do Prefeito Municipal Ademar Delfino de Moura, com o crescimento da cidade, o abastecimento de água da cidade torna-se insuficiente, o que motivou o prefeito a ampliar o sistema de abastecimento e assim, desativando o abastecimento existente neste imóvel construído de 1915 a 1916.
Com a construção de novo abastecimento de água o prédio ficou abandonado até final da década de 80, quando no final da gestão do prefeito Eurípedes Lima Andreani, em 1992, o Prédio sofreu um intervenção.
Nesta intervenção, foram descaracterizadas as janelas, substituídas as de madeira e colocadas outras metálicas com vidros nas cores azul e amarelo, cores políticas adotadas pela administração Andreani. Os detalhes da fachada também receberam influências das cores políticas do prefeito, pintadas de azul claro.
No período de 1993 a 1996, gestão do Prefeito Municipal Dr. Ciro de Araújo Mendonça a edificação serviu de sede da Banda Municipal Maestro Victal Reis, bem como Escola de Música da Banda Municipal, sob a direção do Maestro Augusto dos Reis.
Para instalação da Biblioteca Pública em 1997, segunda gestão do Prefeito Eurípedes Lima Andreani, foram feitas várias intervenções descaracterizantes que comprometeram a estética original do edifício como corrimão na escadaria, construção nos fundos de uma copa e banheiro, bem como a frase “Biblioteca Municipal na frente do prédio com letras grandes no jardim. Também foram instalados três mastros na frente da fachada principal para colocação de bandeiras.
A autoria do projeto original é atribuída ao Sr. Luiz Bianchi, arquiteto prático residente em Monte Alegre e responsável pelo projeto de vários outros prédios construídos na mesma época com o mesmo estilo arquitetônico. Com relação a seu construtor é atribuído como responsável pela execução o Sr. Joaquim Cruz cujo nome esta inscrito em uma das paredes da edificação.
O importante no histórico deste Bem é que o mesmo foi projetado por um Arquiteto Prático de nacionalidade Italiana que trouxe da Europa suas características arquitetônicas em todos os Bens que projetou, bem como o Construtor de nacionalidade portuguesa que completou a visão européia do arquiteto.
Sede da Secretaria Municipal de Educação – “Antigo Fórum”
A edificação foi erguida com a finalidade de abrigar o Fórum de Monte Alegre de Minas. Nela encontra-se ainda hoje, uma placa com os seguintes dizeres: “Construtor Joaquim F. Cruz, 07 de setembro de 1.922.” Porém consta na história do Município, por relatos, que o Arquiteto Prático Luiz Bianchi, teria projetado este prédio por volta de 1.909.
Com estas informações, conclui-se que o projeto foi elaborado pelo Italiano Luiz Bianchi no período da Administração Municipal do Agente Executivo Arlindo Parreira que esteve no cargo somente neste exercício. As razões que levaram este projeto durar 13 anos entre a projeção arquitetônica e a conclusão da obra pelo Construtor português Joaquim Cruz são desconhecidas ou tornaram-se esquecidas por falta de preservação histórica durante estes anos, afinal, estão completando 100 anos desta Projeção e não se registrou tais informações.
O Agente executivo que inaugurou a obra em 07 de setembro de 1922 foi José Ribeiro Guimarães Sobrinho que esteve no cargo de Agente Executivo no período de 1919 a 1922.
Na verdade, o imóvel foi inaugurado para o Poder Judiciário Municipal, inclusive, como era característica comum da arquitetura eclética com predominância neoclássica, existe na fachada um emblema do símbolo da Justiça, porém o prédio serviu como Paço Municipal de 1922 a 1936, onde funcionava o Poder Executivo e Legislativo conjuntamente e o Poder Judiciário. Até o ano de 1936, na Fachada do Imóvel existia a inscrição “Paço Municipal” e a partir deste ano mudou-se a inscrição para “Fórum”.
Monte Alegre que fora elevada à categoria de vila (corresponde à emancipação política, em 16 de setembro de 1870), no início de 1936 preparava-se para a instalação da Comarca. A ata da 8ª sessão extraordinária, de 10 de março de 1936, registra a discussão e aprovação pelo Conselho da doação do prédio da Prefeitura ao Estado para fins de instalação da Comarca. “Essa decisão foi transformada no Decreto de n° 83, de 31 de março de 1936 que “Doa ao Estado o prédio “Paço Municipal”, cujo artigo primeiro assim determina: “Fica a Prefeitura autorizada a doar ao Estado de Minas Gerais, por escritura pública, o prédio “Paço Municipal, onde funcionarão as sessões e do foro local, para a instalação da comarca.
Com a doação do prédio, o Estado autorizou a instalação da comarca e os preparativos para o grande dia tiveram início. O Decreto n° 84, de 30 de abril de 1936 estabelece: “O Prefeito do Município de Monte Alegre, usando de suas atribuições e levando em consideração que o dia de amanhã dá ao município a sua independência judiciária, com a instalação de sua comarca, conforme o decreto estadual n° 371 de 22 deste
Resolve:
Considerar o dia de amanhã, 30 de abril de 1936, feriado municipal.
Prefeitura Municipal de Monte Alegre, 29 de abril de 1936.
Nicanor Parreira, prefeito
Naylor Ottoni, secretário.”
A euforia oficial era tão grande que até os contribuintes foram beneficiados com a instalação da Comarca. Como era o último dia para pagamento de impostos sem multa, o prazo foi prorrogado para até 15 de maio (Decreto n° 85, de 29 de abril de 1936, Livro A, de Decretos e Leis, pág. 74, verso).
O Livro B, de Decretos e Leis contém, nas fls. 28 a 30 a “Acta da instalação da Comarca”, datada de 30 de abril de 1936, com minuciosos detalhes. A mesa foi presidida por “Abbadio José Leite, como primeiro juiz de Paz do districto da cidade”. Estiveram presentes juízes de Uberlândia e de Ituiutaba. “O exmo. Sr. Dr. Governador do Estado fez-se representar pelo prefeito local Sr. Nicanor Parreira, que exibiu ao presidente da mesa a delegação em despacho telegraphico (sic).”
Representantes de Ituiutaba, Prata, Frutal e Uberlândia participaram da festa dos montealegrenses pela instalação da comarca. Muito “ufanismo.”. Após declarar instalada a comarca (...) as suas últimas palavras foram abafadas pelos sons do hino nacional e muitos e frenéticos appalusos.” O orador oficial era o Sr. Tolendal Bittencourt.
Foi prestada homenagem ao Governador do Estado Benedito Valadares, sendo “desvelado” o seu retrato. A professora Angélica Alessandri enalteceu os “festejos, assim como as qualidades de inteligência e visão administrativa do Sr. Governador. A oradora feliz nas suas expressões, foi muito aplaudida”(sic). No descerramento do retrato do ex-juiz do Termo, Sr. Arnaldo Maria “falou com muito entusiasmo a talentosa professora Maria Antonieta que foi delirantemente applaudida.”
A participação de Angélica e Maria Antonieta Alessandri marcavam o início da atuação feminina nos eventos políticos e, como se pode ver, brilhantemente. A festa contou, ainda, com a corporação musical da cidade, comandada por Hildebrando Reis.
A ata da 31ª sessão ordinária da “Prefeitura Municipal, de 26 de julho de 1936, traz uma novidade interessante: “Da presidência o Sr. Prefeito expoz aos snrs. Conselheiros que, amanhã, findará o mandato da gestão da presente Prefeitura (grifo nosso) e Conselho Consultivo, entrando o município no período constitucional.” O prefeito congratulou com os conselheiros o novo período constitucional e agradeceu a participação de todos.
De se notar que a democratização do município foi muito tardia, tendo em, vista que a Constituição fora promulgada em 16 de julho de 1934 e só dois anos após ocorria seu reflexo na instituição municipal.
Tal fato certamente aconteceu pela influência de o município contar com um Poder Judiciário mais atuante e presente, o que nota a importância de acontecimentos no interior deste imóvel agora reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural do município.
Durante a Revolução de 1930, no “Paço Municipal”, o local de recrutamento de revolucionários, bem como ponto de partida e chegada de combatentes de monte alegre era exatamente neste Bem Cultural. O líder Revolucionário de Monte Alegre foi o senhor Ataíde de Souza.
No início da década de 70 o prédio sofreu terrível intervenção em sua fachada onde foram retiradas suas janelas originais de madeira, verticais e colocadas outras metálicas, quadradas com total descaracterização do Bem.
O fato é que este prédio foi utilizado como Fórum até 1.980, quando o mesmo recebeu nova sede na Praça Cívica, na gestão do Prefeito Municipal Ademar Delfino de Moura, atual vice prefeito de Monte Alegre de Minas, que construiu novo Prédio para abrigar o Poder Judiciário de Monte Alegre de Minas.
Com a nova construção, o antigo prédio foi desativado e permaneceu em pleno desuso até 1.989, servindo apenas de depósito da Prefeitura Municipal e totalmente danificado quando, na gestão do então Prefeito Municipal, Eurípedes Lima Andreani a edificação passou a ser a Sede do Serviço Municipal de Cultura e Esporte, pela Prefeitura de Monte Alegre de Minas. Neste período, a descaracterização foi com escritas Institucionais na fachada frontal do Bem.
Em 1992, o Prédio servia de depósito de instrumentos de percussão da Fanfarra Municipal e foram colocados vidros amarelos e azuis em suas janelas e portas da fachada, cores políticas adotadas pelo Prefeito Andreani em sua gestão.
No ano de 1993, na gestão do então Prefeito Municipal Dr. Ciro de Araújo Mendonça, o prédio sofreu uma reforma interna e passou a abrigar a Secretaria Municipal de Educação e Transporte, período em que seu vice prefeito, Dr. Hugo dos Reis Prudente atuou como secretário Municipal de Educação de Monte Alegre de Minas.
Em 2002, gestão do prefeito Aécio Dantas de Souza, com o Tombamento da Fachada da Escola Estadual Tancredo Martins, outra obra Projetada por Luiz Bianchi e construída por Joaquim Cruz, o Antigo Fórum recebeu pintura nova por estar na área de entorno daquele Bem recém Tombado como Patrimônio Histórico e Cultural.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Monte Alegre de Minas Inventariou este Bem em 2002, inclusive foi proposto para Tombamento, porém por questões político-administrativas enfrentadas pela Administração municipal da gestão 2001 - 2004, o processo de Tombamento não saiu da fase de aprovação e registro em ata, sendo o processo efetivado somente em 2008, pela atual administração municipal e Conselho do Patrimônio Cultural, através do Departamento Municipal de Cultura e Turismo.
Neste período, o Prefeito Municipal Aécio Dantas tirou a Secretaria de Educação do prédio e transferiu para este Bem a Secretaria Municipal de Agricultura e setor de Tributos.
Em 2005, com a posse do Prefeito Municipal Dr. Último Bittencourt de Freitas e com a nomeação da nova Secretária Municipal de Educação, Eliana Alessandri Reis de Faria, esta iniciou uma campanha de valorização desta edificação.
Seu primeiro ato de valorização do Bem foi transferir novamente a Sede da Secretaria Municipal de Educação para o “Antigo Fórum” e em seguida, fez da imagem deste prédio a capa dos cadernos a serem distribuídos nas escolas municipais aos alunos e professores. Além da imagem deste Bem na capa, consta na contra capa o Hino Oficial de Monte Alegre de Minas – Terra da Felicidade, para que os alunos possam ter mais acesso ao seu patrimônio Cultural. Estes cadernos são distribuídos anualmente desde 2005 com a mesma imagem do Bem Cultural, completando cinco exercícios ininterruptos de distribuição gratuita.
A Secretária Municipal de Educação, Eliana Alessandri Reis é sobrinha das professoras Maria Antonieta Alessandri e Silvia Alessandri, encarregadas pela organização da solenidade que transformou o município em Comarca, evento este que marcou a história Jurídica da cidade em 1936, com a doação deste imóvel ao estado para se estabelecer a transformação de Vila para Comarca.
A mais recente descaracterização do Bem foi recentemente em 2008 com a necessidade de criação de uma rampa de acessibilidade, porém procurou-se descaracterizar o mínimo possível com uma rampa e corrimão bastante singelos que não agridam a fachada do prédio atrapalhando sua visibilidade.
O importante no histórico deste Bem é que o mesmo foi projetado por um Arquiteto Prático de nacionalidade Italiana que trouxe da Europa suas características arquitetônicas em todos os Bens que projetou, bem como o Construtor de nacionalidade portuguesa que completou a visão européia do arquiteto.
terça-feira, 15 de março de 2011
Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, Praça Nicanor Parreira e Praça Luis Dutra Alvim
Não se sabe com exatidão a data de construção da Igreja Matriz. O que se sabe é que nos primeiros anos do Século XIX foram traçadas as primeiras ruas da futura cidade, a quadra para a Necrópole e a Praça onde foi erguida a Capela de São Francisco das Chagas, o padroeiro do povoado. Em 1820 iniciou-se a construção de edificações residenciais em torno da Igreja, já construída.
O curato de São Francisco das Chagas de Monte Alegre, subordinado à M Foi em seguida elevada a Paróquia pela lei nº 247 de julho de 1943. O primeiro vigário que oficiou nesta Igreja foi o PE Quirino João Evangelista, nomeado em 13 de dezembro de 1870.
Segue descrição da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, segundo o historiador e romancista Alfredo D’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que se hospedou em Monte Alegre de Minas em 1865, em expedição ao Mato Grosso e Paraguai:
“Monte Alegre um lugarzinho simpático de aspecto realmente risonho. Terá seus 400 ou 500 habitantes, algumas casas bastante boas, caiadas e de telhas. A Matriz é sumamente tosca. Diverti-me em tirara uma visita. \muito pobrezinha com suas torres e sua única porta que dá acesso a uma escadinha. O interior também é de pobreza extrema. Está bem de acordo com o movimento quase nulo do lugarejo, de que é o mais importante edifício a que animam umas tropas de cargueiros que por ali transitam.”
O primeiro vigário do Século XX, por provisão de 24 de maio de 1900, foi o Pe. Antônio Savastano. Neste mesmo ano, com a responsabilidade dos construtores contratados Fioravante Blarazinni, Francisco Ramela, e Eduardo Boroni, fez-se a remodelação da velha matriz, erguendo-se na frente do Templo as duas suntuosas torres, e dando ao edifício a característica neogótica, presente ainda em suas fachadas. Na seqüência foi instalado em uma das torres o Relógio Público às expensas da Municipalidade, estando exercendo o cargo de Presidente e Agente Executivo neste período o Sr. João Afonso da Silva, que governou até 1903.
Por volta de 1920 foi feita uma reforma que demoliu toda a nave da Igreja, restando apenas as torres, conforme vemos na figura XX. Não se sabe a data exata nem o motivo da reforma, devido a um incêndio nos arquivos paroquiais.
Em 1970, o Município alcança o seu primeiro centenário de emancipação política. Neste mesmo ano, a Igreja passa por mais uma reforma, na qual são ampliadas e remodeladas as duas naves laterais, dando a forma à qual a Igreja se encontra hoje.
Na década de 80 é realizada outra reforma, na qual as paredes laterais são demolidas e construídas novamente. Esta reforma se fez necessária, pois a estrutura, até então de madeira, estava cedendo e as paredes se abrindo, e a Igreja corria risco de desabamento. Foi feita uma reconstrução da Igreja, mantendo exatamente as mesmas características formais e adornos. Algumas janelas foram mantidas, e foram encomendadas janelas idênticas para colocar no lugar das que não puderam ser reaproveitadas, para manter a identidade visual da Igreja.
No ano de 2004 foi realizada uma reforma onde foi feita a pintura de todo o prédio e a aplicação de revestimentos cerâmicos em parte de seu interior.
No entorno da Igreja de São Francisco das Chagas aconteciam manifestações sociais, culturais e econômicas, o que deu origem à duas pracinhas que abrigavam visitantes e tropeiros. A princípio, estes espaços eram configurados como largos, ou simples locais de passagem. Já no inicio do século XX foi conformada a primeira das duas praças, situada em frente à Matriz, com o nome de Praça Getúlio Vargas, que era dividida por uma rua em duas partes, sendo que na parte oposta à Igreja situava-se um coreto e um chafariz de concreto, os quais perduraram até 1970. O nome da Praça foi modificado de Praça Getulio Vargas para Praça Nicanor Parreira segundo a Lei nº 477 de 22 de Agosto de 1963.
No ano de 1966 foi elaborado um projeto pelo Arquiteto João Jorge Cury, residente na cidade de Uberlândia – MG, a pedido do então prefeito Paulo Bernardes, com o intuito de revitalizar a Praça Nicanor Parreira. O projeto foi elaborado sobre as premissas do modernismo, num período subseqüente à construção de Brasília, época em que foram revitalizadas várias outras praças na região pelo mesmo arquiteto, como as Praças Tubal Vilela e Nossa Senhora Aparecida em Uberlândia – MG, com o mesmo estilo arquitetônico. Esta obra causou uma grande polemica entre a população local, uma vez que o projeto suprime grande parte da vegetação existente, fato lembrado ainda hoje pela população. A reforma foi autorizada pela Lei nº 620 de 2 de Agosto de 1966.
O projeto feito por João Jorge Cury une as duas partes da praça, eliminando a rua que as separavam. Na parte mais próxima à Igreja foi construída uma fonte luminosa e um grande jardim em seu entorno. Já na outra parte, foi prevista a construção de uma concha acústica situada próxima ao local de onde foi revestido com pedras portuguesas nas cores preto e branco, retiradas do Rio das Pedras, na região da cidade (Fonte: Professor Dante Bernardes) com a paginação em forma de losango branco sobre fundo preto.
No ano de 1990 o então prefeito Eurípedes Lima Andreani realiza obras de reforma na praça, que, novamente a descaracterizam. Foi criado sobre a fundação da concha acústica prevista no projeto anterior um palanque, que interrompe a vista que se tinha da praça e da igreja a partir de uma das entradas da cidade pela BR-365 através da Rua Coronel Vilela até o início da praça no extremo oposto à Matriz. Em frente a este palanque são colocadas várias fileiras de bancos e os canteiros cercados por postes de concreto pintados de branco atarantados por correntes.
A partir de então a praça recebe um novo uso, passando a ser usada como local de manifestações públicas e apresentações culturais.
Com relação à Praça Luiz Dutra Alvim, sua conformação se deu nos anos 50, onde até então se situava um largo, chamado Rui Barbosa, que se abrigava em seu centro um poste de iluminação, ainda hoje preservado, porém em outro local. Foi construída então a praça em forma triangular, com projeto de autor desconhecido.
Sua construção foi financiada pela população local, de acordo com a Sra. Horades Parreira Guerra, residente na Praça Nicanor Parreira: “O Sr. José de Freitas, presidente do CrediReal angariou fundos para a construção da praça. Me lembro que meu pai contribuiu com dinheiro para sua construção”.
O nome da praça foi alterado de Rui Barbosa para Luiz Dutra Alvim de acordo com a Lei nº 623 de 19 de Outubro de 1966, em homenagem póstuma ao ex-prefeito. Em sua implantação inicial, a praça contava com um chafariz em seu centro e após sua mudança de nome foi colocado um busto do ex-prefeito Luiz Dutra Alvim na extremidade do triângulo, voltado para a Avenida XVI de Setembro, principal avenida da cidade.
Em 1987, na administração do prefeito Virgilio Galeno de Faria Alvim, ela é quase completamente descaracterizada, restando apenas o busto. No local onde se situava o chafariz foi erguida uma construção em forma cilíndrica, feita com tijolos à vista, coberta com um prato de concreto aparente e que foi destinada ao uso de jardineira.
Como se vê, a paisagem urbana do local no decorrer dos anos foi brutalmente modificada no decorrer dos anos, tanto que a ultima reforma realizada, iniciada no ano de 2006 e ainda em andamento, se constituiu em uma reconstrução, com a realização de terraplanagem nas duas praças, mudança do piso para blocos de concreto intertravados, retirada das arvores plantadas anteriormente para plantação de palmeiras, colocação de um sistema de caixas de som nas praças, a construção de um novo coreto em lugar próximo ao do antigo coreto na Praça Nicanor Parreira, a construção de um pergolado e um quiosque para lanchonete na Praça Luiz Dutra Alvim, e está prevista a construção de uma fonte em frente à Igreja, projeto ainda em execução. Esta obra, realizada na gestão do prefeito Último Bitencourt de Freitas, está sendo realizada através de verbas do Ministério do Turismo, além da contrapartida financeira com recursos próprios da prefeitura. O projeto mais recente das praças se encontra anexo. Não há dados exatos sobre datas e projetos anteriores, pois desapareceram vários documentos dos arquivos da prefeitura municipal durante a administração 1989-1992.
Texto Retirado do Dossiê de Tombamento nº 3 (Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, Praça Nicanor Parreira e Praça Luis Dutra Alvim) disponível para consulta na sede do Departamento Municipal de Cultura e Turismo
O curato de São Francisco das Chagas de Monte Alegre, subordinado à M
Segue descrição da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, segundo o historiador e romancista Alfredo D’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que se hospedou em Monte Alegre de Minas em 1865, em expedição ao Mato Grosso e Paraguai:
“Monte Alegre um lugarzinho simpático de aspecto realmente risonho. Terá seus 400 ou 500 habitantes, algumas casas bastante boas, caiadas e de telhas. A Matriz é sumamente tosca. Diverti-me em tirara uma visita. \muito pobrezinha com suas torres e sua única porta que dá acesso a uma escadinha. O interior também é de pobreza extrema. Está bem de acordo com o movimento quase nulo do lugarejo, de que é o mais importante edifício a que animam umas tropas de cargueiros que por ali transitam.”
O primeiro vigário do Século XX, por provisão de 24 de maio de 1900, foi o Pe. Antônio Savastano. Neste mesmo ano, com a responsabilidade dos construtores contratados Fioravante Blarazinni, Francisco Ramela, e Eduardo Boroni, fez-se a remodelação da velha matriz, erguendo-se na frente do Templo as duas suntuosas torres, e dando ao edifício a característica neogótica, presente ainda em suas fachadas. Na seqüência foi instalado em uma das torres o Relógio Público às expensas da Municipalidade, estando exercendo o cargo de Presidente e Agente Executivo neste período o Sr. João Afonso da Silva, que governou até 1903.
Por volta de 1920 foi feita uma reforma que demoliu toda a nave da Igreja, restando apenas as torres, conforme vemos na figura XX. Não se sabe a data exata nem o motivo da reforma, devido a um incêndio nos arquivos paroquiais.
Em 1970, o Município alcança o seu primeiro centenário de emancipação política. Neste mesmo ano, a Igreja passa por mais uma reforma, na qual são ampliadas e remodeladas as duas naves laterais, dando a forma à qual a Igreja se encontra hoje.
Na década de 80 é realizada outra reforma, na qual as paredes laterais são demolidas e construídas novamente. Esta reforma se fez necessária, pois a estrutura, até então de madeira, estava cedendo e as paredes se abrindo, e a Igreja corria risco de desabamento. Foi feita uma reconstrução da Igreja, mantendo exatamente as mesmas características formais e adornos. Algumas janelas foram mantidas, e foram encomendadas janelas idênticas para colocar no lugar das que não puderam ser reaproveitadas, para manter a identidade visual da Igreja.
No ano de 2004 foi realizada uma reforma onde foi feita a pintura de todo o prédio e a aplicação de revestimentos cerâmicos em parte de seu interior.
No entorno da Igreja de São Francisco das Chagas aconteciam manifestações sociais, culturais e econômicas, o que deu origem à duas pracinhas que abrigavam visitantes e tropeiros. A princípio, estes espaços eram configurados como largos, ou simples locais de passagem. Já no inicio do século XX foi conformada a primeira das duas praças, situada em frente à Matriz, com o nome de Praça Getúlio Vargas, que era dividida por uma rua em duas partes, sendo que na parte oposta à Igreja situava-se um coreto e um chafariz de concreto, os quais perduraram até 1970. O nome da Praça foi modificado de Praça Getulio Vargas para Praça Nicanor Parreira segundo a Lei nº 477 de 22 de Agosto de 1963.
No ano de 1966 foi elaborado um projeto pelo Arquiteto João Jorge Cury, residente na cidade de Uberlândia – MG, a pedido do então prefeito Paulo Bernardes, com o intuito de revitalizar a Praça Nicanor Parreira. O projeto foi elaborado sobre as premissas do modernismo, num período subseqüente à construção de Brasília, época em que foram revitalizadas várias outras praças na região pelo mesmo arquiteto, como as Praças Tubal Vilela e Nossa Senhora Aparecida em Uberlândia – MG, com o mesmo estilo arquitetônico. Esta obra causou uma grande polemica entre a população local, uma vez que o projeto suprime grande parte da vegetação existente, fato lembrado ainda hoje pela população. A reforma foi autorizada pela Lei nº 620 de 2 de Agosto de 1966.
O projeto feito por João Jorge Cury une as duas partes da praça, eliminando a rua que as separavam. Na parte mais próxima à Igreja foi construída uma fonte luminosa e um grande jardim em seu entorno. Já na outra parte, foi prevista a construção de uma concha acústica situada próxima ao local de onde foi revestido com pedras portuguesas nas cores preto e branco, retiradas do Rio das Pedras, na região da cidade (Fonte: Professor Dante Bernardes) com a paginação em forma de losango branco sobre fundo preto.
No ano de 1990 o então prefeito Eurípedes Lima Andreani realiza obras de reforma na praça, que, novamente a descaracterizam. Foi criado sobre a fundação da concha acústica prevista no projeto anterior um palanque, que interrompe a vista que se tinha da praça e da igreja a partir de uma das entradas da cidade pela BR-365 através da Rua Coronel Vilela até o início da praça no extremo oposto à Matriz. Em frente a este palanque são colocadas várias fileiras de bancos e os canteiros cercados por postes de concreto pintados de branco atarantados por correntes.
A partir de então a praça recebe um novo uso, passando a ser usada como local de manifestações públicas e apresentações culturais.
Com relação à Praça Luiz Dutra Alvim, sua conformação se deu nos anos 50, onde até então se situava um largo, chamado Rui Barbosa, que se abrigava em seu centro um poste de iluminação, ainda hoje preservado, porém em outro local. Foi construída então a praça em forma triangular, com projeto de autor desconhecido.
Sua construção foi financiada pela população local, de acordo com a Sra. Horades Parreira Guerra, residente na Praça Nicanor Parreira: “O Sr. José de Freitas, presidente do CrediReal angariou fundos para a construção da praça. Me lembro que meu pai contribuiu com dinheiro para sua construção”.
O nome da praça foi alterado de Rui Barbosa para Luiz Dutra Alvim de acordo com a Lei nº 623 de 19 de Outubro de 1966, em homenagem póstuma ao ex-prefeito. Em sua implantação inicial, a praça contava com um chafariz em seu centro e após sua mudança de nome foi colocado um busto do ex-prefeito Luiz Dutra Alvim na extremidade do triângulo, voltado para a Avenida XVI de Setembro, principal avenida da cidade.
Em 1987, na administração do prefeito Virgilio Galeno de Faria Alvim, ela é quase completamente descaracterizada, restando apenas o busto. No local onde se situava o chafariz foi erguida uma construção em forma cilíndrica, feita com tijolos à vista, coberta com um prato de concreto aparente e que foi destinada ao uso de jardineira.
Como se vê, a paisagem urbana do local no decorrer dos anos foi brutalmente modificada no decorrer dos anos, tanto que a ultima reforma realizada, iniciada no ano de 2006 e ainda em andamento, se constituiu em uma reconstrução, com a realização de terraplanagem nas duas praças, mudança do piso para blocos de concreto intertravados, retirada das arvores plantadas anteriormente para plantação de palmeiras, colocação de um sistema de caixas de som nas praças, a construção de um novo coreto em lugar próximo ao do antigo coreto na Praça Nicanor Parreira, a construção de um pergolado e um quiosque para lanchonete na Praça Luiz Dutra Alvim, e está prevista a construção de uma fonte em frente à Igreja, projeto ainda em execução. Esta obra, realizada na gestão do prefeito Último Bitencourt de Freitas, está sendo realizada através de verbas do Ministério do Turismo, além da contrapartida financeira com recursos próprios da prefeitura. O projeto mais recente das praças se encontra anexo. Não há dados exatos sobre datas e projetos anteriores, pois desapareceram vários documentos dos arquivos da prefeitura municipal durante a administração 1989-1992.
Texto Retirado do Dossiê de Tombamento nº 3 (Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, Praça Nicanor Parreira e Praça Luis Dutra Alvim) disponível para consulta na sede do Departamento Municipal de Cultura e Turismo
Histórico Monumento aos Heróicos Retirantes de laguna

Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna
Bem Tombado pelo Decreto nº 2.966 de 09 de abril de 1999
Somos cientes de que todas as guerras são más, que sempre há pessoas que as repudiam, acabando, porém por cumprir seus deveres para com a pátria. Todas as guerras, até as mais santas, trazem horrores e sofrimentos aos mais inocentes. A Guerra do Paraguai, portanto, não seria diferente. Foi uma grande devastadora de povos, que movidos pelos povos, que movidos pelo sentimento popular na época de honrar a pátria, foram voluntários, e segundo León Pomer, “distribuídos como cartas de baralho.”
Os interesses que levaram à guerra, segundo Paulo Duarte, foram relacionados ás afrontas ao Império e tentativas de ocupação da Província do Mato Grosso, pelo Governo Paraguaio. Contudo na visão de León Pomer diz que esta foi “uma guerra de rapina, mantida e camuflada por interesses obscuros.”
O fato é que, “ Antes mesmo da organização do Corpo Expedicionário que devia operar ao sul de Mato Grosso, forças de Francisco Solano Lopes haviam investido contra a Província, ocupando vários de suas povoações em um bom trato de sua área sudoeste de Mato Grosso.”
Nessa primeira empreitada os paraguaios conseguiram realizar as seguintes conquistas: ocupar o Forte de Coimbra, Albuquerque e Corumbá (que anteriormente foram abandonados pelos brasileiros), em 1.865, os vapores paraguaios em suas explorações pelo Rio São Lourenço, capturam o “Anhambahy” com sua tripulação, enviada presas para Corumbá.
Pela necessidade de restabelecer a ordem em Mato Grosso, o Governo Imperial decidiu tomar providências.
Foram acionadas as tropas das Províncias do Paraná, São Paulo, Goiás, Minas Gerais. Atendendo ao Império, formaram-se comissões para alistar soldados e voluntários.
No preparo da Brigada, foi improvisado, fardamento desde bonés até mochilas, devido aos poucos recursos que dispunham.
Animados para defender a Pátria e já dada por encerrada a campanha do Uruguai, a ação se voltava para o Paraguai, era preciso levar socorro à invadida Província de Mato Grosso.
Em Uberaba reuniram-se as tropas da Guarda Nacional e demais voluntários para seguirem seu destino, o qual era movido ainda, pelo mesmo entusiasmo de servir a pátria.
Minas Gerais apresentou maior contingente. Nas solenidades de despedidas, foram rezadas missas, realizaram discursos, fizeram juramento a bandeira e em especial a Banda de Música Mineira, já tradicionalmente conhecida naquela época, pela sua boa produção musical, animou aos que partiam e acalentava os que ficavam.
No entanto heroicamente a expedição brasileira, passou por difíceis provocações, no decorrer dos caminhos até a operação ao sul de Mato Grosso.
Atravessou os grandes sertões Goianos, e, seguida fizeram a travessia de imensos pantanais, rios, sofreram pela escassez de alimentos e higiene. Passaram por lugares já saqueados e destruídos pelos paraguaios. Mesmo assim marcharam por Nioac, por Miranda, com muita ordem e regularidade.
Tiveram sempre contatos breves com inimigos, e deles não fugiam. Independente das circunstâncias estavam prontos para construir barcos, abandoná-los, fazer pontes, destruí-las, quando se fazia necessário e a luta era constante e difícil.
Os soldados brasileiros eram perseverantes, pois não recuavam com facilidade, esse lhes parecia ser o último dos desejos. Porém pareciam estar sempre em desvantagem, principalmente quanto a artilharia. E quem mais sofria a penalidade, nesse sentido, obviamente era o batalhão da vanguarda, deixando muitas vezes rastros tristes com mortos e feridos.
O sofrimento crescia a cada avanço, com a fome, com a cólera que os confrontaram (beribéri, cholera), a nudez de encontro com as tempestades de chuva, vento ou com os tórridos raios do sol e até o fogo em matas somou-se ao fogo das armas que em ataques dispersavam ainda mais o gado, fazendo-se perder toda sua comida.
Milagrosamente escapavam alguns oficiais e voluntários que seguiam sua jornada avançado do Apa até Laguna. Cada vez mais flagelados, continuaram, até se verem completamente cercados pelos inimigos. Apesar de ter chegado a Laguna, quase totalmente aniquilados pelas condições que se encontravam e numericamente inferiores, decidiram retornar.
E mais uma vez viveram uma grande dificuldade, escolher o melhor cominho para voltar, pois os inimigos não davam trégua e seria difícil naquelas condições miseráveis, enfrentar maiores confrontos com o inimigo.
A marcha de retorno, não foi amena e no desespero chegavam, algumas vezes, a achar que se tratava de uma conspiração divina contra eles. Aos poucos tudo se resumia num verdadeiro caos de desordem e desespero. Os ruídos emitidos pelos inimigos, mugidos do gado, explosões, uma verdadeira apoteose em potência. Conforme já foi descrito por alguns estudiosos.
Quando preciso, trocavam as posições, mas não perdiam a rumo a Bela Vista, enquanto prosseguia também a incansável perseguição do inimigo.
Muitos corpos ficaram para traz, a maioria mortos, entre outros abandonados, num episódio triste, agonizando até a morte vinda da doença (cholera), ou sendo aliviados posteriormente ao abandono, pela crueldade dos inimigos que lhes amarravam em arvores e decepavam suas cabeças; num ritual de perversidade macabra. Isso após ter sido tomada uma difícil decisão entre levar os doentes e contaminar os demais ou abandoná-los, o Coronel Camisão viu-se obrigado a optar em abandonar os pobres enfermos, para poder salvar o restante seguindo em frente. Ele mesmo assumiu total responsabilidade desse ato desumano, sem a rejeição do grupo, cientes de que paradoxalmente, a pior decisão era a melhor. Esta epidemia, a cholera, estava desenvolvendo-se rapidamente entre Coxim e Miranda, e nem ao próximo Coronel Camisão deixou à salvo.
Nossa artilharia tinha os tiros mais certeiros, o que nos rendeu algumas vitorias e condições para chegar na margem do Taquaruçu, onde os inimigos paraguaios devem por determinada a sua cerrada perseguição.
Sendo que eles mesmos deram o grito de retirada.
Os heróicos brasileiros chegaram a margem esquerda do Rio Aquidauana com número reduzido de combatentes. E ao entrar em Cuiabá, a coluna Expedicionária contava apenas com 395 homens em 1867. Sendo que iniciaram sua jornada com 1.210 homens. Lembramos que se juntaram durante o percurso.
O Governo Imperial concedeu-lhes Medalhas de Honra em reconhecimento a penosa missão imposta à Força Expedicionária ao Sul de Mato Grosso.
“Atendendo à constância e ao valor, com que, não obstante as privações sofridas se houveram as Forças Expedicionárias de Mato Grosso, batendo vigorosamente as colunas paraguaias em os combates que com elas travaram em território inimigo.”
O governo Imperial decidiu enviar uma Força para operar na região sul de Mato Grosso. Devido a posição hostil do Governo Paraguai, de invadir esta Província, Mato Grosso.
Foram acionadas tropas das Províncias do Paraná, São Paulo, Goiás e Minas Gerais com maior contingente.
O Presidente da Província de Minas Gerais era o desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, e a Capital mineira era Ouro Preto.
Os mineiros, a maioria convocados como Voluntários foram corajosos e capazes de grandes sacrifícios pela hora da Pátria, conforme afirmou Paulo de Queiroz Duarte em Os voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai.
A principio os artigos essenciais ao equipamento das praças, desde armamento e munições de guerra, até uniformes, barracas, mochilas, lhe faltavam aos depósitos mineiros e muito se conseguiu através de improvisos, porem nada abatia de coragem, movido pelo nobre sentimento patriota.
A cidade de Uberaba ficou registrada em livros pela participação nessa empreitada. Nela reuniram-se 1.041 guardas somando a estes as tropas mandadas das Províncias do Paraná e São Paulo no dia 21 de junho de 1.865. Depois de unidos as Forças fizeram etapas de Uberaba a Miranda, em Mato Grosso e de Miranda a Laguna, no Paraguai.
Em síntese ouve dois corpos de voluntários Mineiros, segundo estudos que fizemos em livros que narraram a Guerra do Paraguai: “O 17º Corpo de voluntários foi organizado com destino ao Corpo Expedicionário de Mato Grosso, e com ele tomou parte na celebre Retirada da Laguna, ao passo que o 18º, teve por destino o teatro de operações no Rio Grande do Sul.”
O Corpo de Voluntários da Policia, não aceitou de pleno juízo e boa vontade, pela expressão de voluntários, pois acharam que não lhes cabia por inteiro, este termo. Porém, juntaram-se de boa vontade ao grupo, alguns índios, mulheres e representando o Corpo eclesiástico o padre Capelão Antônio Augusto do Carmo, entre outros.
Estes Voluntários enfrentaram várias batalhas desde a sua partida ao encontro dos paraguaios. Desbravaram os sertões despovoados de Goiás e Mato Grosso à procura do inimigo. Na travessia do Rio Miranda enfrentaram brejos lamacentos, feixes de macega e a lama visguenta que para muitos serviu como túmulo.
No decorrer dos caminhos trilhados, cruzaram com o inimigo e muitas vezes foram vitoriosos nas lutas travadas. Mas também travaram lutas contra a fome e a miséria, onde muitos não sobreviveram.
Houve momentos mágicos em que a Banda de Música Mineira alegrava os acampamentos da Forças. No entanto houve também momentos de muita tristeza, quando, por exemplo, enfrentaram a epidemia da “peneira”, nome popular dado pelos soldados a beribéri, onde alguns morreram. E o momento máximo de horror, quando, após passarem por tempestades, enfrentaram a cólera da cholera, que fez muitas vitimas. O Coronel Camisão se viu obrigado a abandonar alguns enfermos, na tentativa de salvar o restante do grupo e poder seguir em frente, e até ele mesmo sofreu as conseqüências da cholera e acabou não resistindo a ela.
Em desvantagem numérica, pela quantidade inferior de homens, continuaram enfrentando tempestades ora de água, ora de fogo invadiram o Paraguai, com o 17º de voluntários, fazendo o serviço de retaguarda, em outros momentos faziam a vanguarda, tendo algumas vezes que recuar.
“Arrebatado todo o gado pela cavalaria paraguaia, reduzido o efetivo da Coluna, pelas baixas ocorridas nos combates de 6,8 e 11 de maio, perdida toda a esperança de uma revanche, iniciou-se a Coluna a retirada forçada. O problema da escolha da estrada a trilhar impunha uma pronta e decisiva solução.”
Reduzidos a roupa do corpo e com muita dor, vinda de quase todos os sentidos, pelas perdas, pelos ferimentos, por todas as experiências vividas nos combates, 395 homens chegaram em Cuiabá, para tanto foram vacinados, embora em relatórios partidos de Uberaba contam que em alguns estas vacinas não surtiram efeito. Acreditamos que nesse retorno perdemos mais alguns praças, que segundos relatos de moradores montealegrenses, cinco deles vieram a fazer sua última morada em Monte Alegre de Minas.
“aprendemos de nossos pais e avós, que aquele cercadinho de poucos metros quadrados, à Margem do córrego Monte Alegre e a meia légua da cidade, abriga os despojos de quatro, segundo uns, ou cinco, segundo outros, soldados brasileiros, que na campanha escaparam nos combates travados com o inimigo, à cólera, à fome, mas que aqui encontraram a morte causada pela varíola, daí o nome popular de Cemitério dos Bexiguentos.”
Alaor Guimarães Mendonça – in Memorian
A três quilômetros da Cidade de Monte Alegre, a 1200 metros da rodovia BR-365 que demanda a Brasília, está localizado um Monumento Histórico, um patrimônio nacional, que acolheu os Voluntários da Pátria alguns em sua ultima morada, vitimados pela varíola.
Esses voluntários que em 1867 por aqui passaram, vinham de um acampamento militar no Caçu e Caximbo, nos arredores de Uberaba, rumando para Santa Rita do Paranaíba, Dores do Rio Verde, Coxim, para lutar no Paraguai.
Ao se retirar de Laguna, parte desta tropa voltou pelo mesmo roteiro, passando por Dores do Rio Verde vindo de Coxim, o 20º Batalhão de Goiás voltou para Vila Boa.
Para Monte Alegre voltaram seus soldados, os arrieiros, carreiros e soldados de outras localidades que aqui estão sepultados, cujo destino ficou ignorado.
No Livro “Retirada da Laguna”, 4º edição francesa de autoria do oficial bacharel Alfredo D’ Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que participou desta jornada heróica a para de seu retrato e muitas ilustrações está um mapa que mostra o trajeto da tropa. Por este mapa, embora não cite Monte Alegre como também outros arraiais deste trajeto, mas os pontos mais importantes como Uberaba, Santa Rita, Coxim, pode-se verificar que a rota da coluna se ajusta, calha em cima da cidade de Monte Alegre de Minas. Há também várias anotações deste episodio da retirada da Laguna: - “No dia da invasão do território paraguaio, em abril de 1.867, era o efetivo da coluna de 1.680 soldados. A 11 de junho reduzira-se a 700 combatentes. Perdera-nos pois 908 soldados pela cólera e o fogo. Morrera, além disso, grande número de índios, mulheres e homens, negociantes ou camaradas que haviam acompanhado a marcha agressiva do nosso corpo.”
Graças aos esforços e trabalho pessoal do Sr. Alaor Guimarães Mendonça, filho de Monte Alegre, historiador, jornalista, pintor, que tanto se empenhou, dando parte de sua vida para preservar o nosso patrimônio histórico. Segue em anexo, documentação de Sr. Alaor, todo trabalho de reivindicação para que neste local fosse erigido o Monumento em homenagem a alguns heróis aqui sepultados.
No dia 11 de junho de 1.967, no centenário da Retirada da Laguna, o Sr. Alaor Mendonça conseguiu inaugurar um obelisco e um pequeno muro de proteção às sepulturas dos soldados mortos, que eram antes, somente marcados com algumas estacas de aroeiras. Segundo a tradição histórica, alguns soldados que voltaram de Laguna, sucumbiram naquele local, após passarem por batalhas, fome, cólera e já na divisa do Brasil encontraram-se com varíola, enfraquecidos e cheios de bexigas não poderão entrar no arraial de Monte Alegre. Pois este arraial não dispunha de recursos médicos necessários e seus moradores temiam pela alastração deste mal, a varíola, entre a comunidade.
Por muito tempo o cemitério esteve abandonado. A bica d’água que servia para regar as plantas e que foi usada pelos soldados, secou. Velhos jatobás, sob os quais os soldados se abrigaram e morreram, estavam sofrendo degradação por vândalos. Mas felizmente ainda conserva-se um dessa espécie de árvore frutífera, localizado ao lado esquerdo do cemitério.
O cemitério constituía-se de um pequeno cercado de cimento que protegia um cruzeiro e lascas de aroeira que protegiam as sepulturas dos soldados. O cruzeiro foi danificado, arrancaram sua trave horizontal, que foi posteriormente restaurada e reforçada por uma trave de ferro ao centro.
Várias melhorias foram feitas a partir de 1967. Em 1979, por exemplo, Monte Alegre obteve com o auxílio do Cel. Ari Vaz de Melo, Tenente Coronel Francisco da Ressurreição Castro, melhoramentos do patrimônio histórico de Monte Alegre. Conseguiram por intermédio do exército que o MEC beneficiasse Monte Alegre com uma verba, que veio permitir a construção de uma casa para o zelador residente com cantina para servir o visitante entre outros melhoramentos.
Muitas homenagens são realizadas neste local, como missa campal em presença do 17º Batalhão de Polícia Militar, até as mais simples e anônimas, como nossos heróis, preces isoladas, silenciosas, velas acesas, coroa de flores em finados.
Este Monumento, que uns chamam de Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna, outros Monumento aos Heróis de Laguna, até popularmente como Cemitério dos Bexiguentos, foi referendado dentro dos limites dos cofres públicos por todas as administrações desde os trabalhos iniciados pelo senhor Alaor Guimarães Mendonça até os dias atuais.
Texto retirado do Dossiê de Tombamento do Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna, disponível para consulta no Departamento Municipal de Cultura e Turismo.
Histórico Atual
RESUMO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE MONTE ALEGRE DE MINAS
Terra de Paz e bem
Terra da Felicidade
Terra do mais saboroso abacaxi
Fatos Históricos na Formação da Região do Triângulo Mineiro
Os dados históricos revelam que a região que compreende “o rio Tietê abaixo, indo para o Mato Grosso e Goiás”, ou seja, incluindo o atual Triângulo Mineiro, era conhecida pelos bandeirantes como a ”região dos bilreiros ou Caiapós” (Taunay 1875). Há inúmeras referências que indicam que o Triângulo era uma área de influência dos grupos Kayapó do Sul. Em 1817, Spix (1981:212) menciona a presença de “bandos” isolados e rebeldes de Kayapós na parte ocidental da Província de Minas, “no outro lado do rio São Francisco”. Segundo Ribeiro (1996:87) “Caiapônia”, a terra dos Kayapós do Sul, pertencentes à família lingüística Jê, seria todo território hoje compreendido ente sul de Goiás, sudeste do Mato Grosso, Triângulo Mineiro e noroeste de São Paulo.
“A Zona que atualmente consiste o Triângulo Mineiro foi parte integrante, até 1720, da antiga Capitania Geral de São Paulo. Em 1748 dela se destacando a Capitania de Goiás, ficou o território do triângulo pertencendo a esta até 4 de abril de 1816, quando dela se desmembrou, incorporando-se à Capitania de Minas Gerais.” (Capri, 1916)
A região do triângulo foi percorrida a partir do século XVII por bandeirantes vindos do sul. A primeira expedição documentada que provavelmente atravessou o atual território do triângulo, foi a expedição de Pero Domingues, que em 1613, saído de São Paulo foi a confluência do rio Araguaia com o Tocantins. Várias outras bandeiras a sucederam. Depois da descoberta de ouro em Goiás no século XVIII, a região se tornou uma área de passagem obrigatória para os mineradores e tropeiros, aumentando a pressão sobre os grupos indígenas locais.
Gradativamente, apesar de todos os seus esforços, os Kayapós foram perdendo terreno, inicialmente para os bandeirantes, que penetraram o sertão em busca de escravos e ouro, depois, já no século XIX, pela expansão agropecuária de Minas Gerais e São Paulo. A expansão territorial se deu inicialmente a partir do atual distrito de Sacramento(Desemboque) localizado ao sul do município de Araxá. Dali partiram expedições que tornaram conhecida toda extensão do sertão da Farinha Podre(Barbosa, 1971:160-162). Toda essa região passou a pertencer em 1816 a Minas Gerais em vez de Goiás, por ato de D. João, graças à interferência dos moradores de São Domingos do Araxá(Barbosa, 1971:523-526).
No século XIX, os Kayapós já eram prisioneiros e intrusos naquela região que fora a terra de seus antepassados. Seu acaso ocorre no século XX, o último grupo registrado era composto por pouco mais de 30 sobreviventes que residiam às margens do Rio Grande, em Salto Vermelho/SP.
A história de Monte Alegre de Minas está relacionada às rotas das expedições que desbravaram o triângulo Mineiro onde surgiram diversos povoados que deram origem às cidades como Araxá, Prata, Uberaba, dentre outras.
Foi no município do Prata que surgiu o povoado de São Francisco das Chagas de Monte Alegre.
Dentro do contexto histórico, Monte Alegre de Minas surgiu por uma graça atribuída a São Francisco das Chagas, que se tornou o seu padroeiro.
Sobre o perfil do precursor dessa história, consta que Francisco nasceu em Assis na Itália por volta de 1181 e 1182. Atendeu ao chamado de Jesus Cristo e tornou-se um exemplo vivo de fé e glória a Deus. Através do seu grande amor e zelo por todas as criaturas, não excluiu nenhum irmão, tornando-o um Santo ecumênico e padroeiro da ecologia. Francisco optou por viver a pobreza mundana com simplicidade, humildade, fraternidade, retidão, oração e muita fé. Dedicou-se à missão de levar paz e bem ao próximo. Vivia conforme o Senhor lhe inspirava assim tornou-se o poeta da criação. O reconhecimento de Deus pela sua fé se materializou por volta de 1224, quando ele recebeu as Chagas ou estigmas de Jesus Cristo. “Após passar vários dias sozinho, em silêncio, em oração diante da cruz, pediu a Jesus que pudesse sentir em sua carne, tanto quanto possível, as dores que tinha sentido na Paixão. Então, Francisco recebeu os estigmas de Jesus, um anjo lhe imprimiu as chagas das mãos, dos pés e do lado direito do Senhor. A mesma ferida, a mesma dor, deixou Francisco feliz, privilegiado por sofrer como Jesus Cristo, que deu a vida por amor, deu a vida por ele e por todos nós.” Assim Francisco de Assis passou a ser conhecido também por São Francisco das Chagas, ao qual muitos ainda recorrem para pedir curas.
A Origem do Nome Monte Alegre
Sobre o nome “Monte Alegre”, antigos moradores da comunidade afirmam que na Serrinha, região mais alta da cidade e localizada na sua entrada principal, sentido Uberlândia – Monte Alegre de Minas, os moradores ali se reuniam para programar os trabalhos rurais, pagodes comemorativos, rezas de terços, entre outros motivos, mas sempre com muita alegria, sugestionando o primeiro nome do arraial. Posteriormente, devido a confusões ocasionadas por desvio de correspondências para outras “Monte Alegres”, de outros estados, pelo Decreto de Lei Estadual n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, recebeu o nome “Toribaté”. Em 1949 retorna ao nome inicial acrescido de “Minas”, permanecendo “Monte Alegre de Minas”, até a atualidade.
O município de Monte Alegre de Minas encontra-se, portanto, no Triângulo Mineiro, em terreno de aspecto montanhoso e com área atual de 2.718 Km2. Situa-se em uma altitude de 899m, tem como coordenadas geográficas 19º52’10” de latitude sul e 48º52’41” de longitude MCR, e distante de Belo horizonte 535 Km em linha reta.
O Surgimento do povoado e das primeiras habitações
O surgimento do povoado ocorreu quando uma numerosa família mineira, chefiada por Martins Pereira, mudou-se para a região, com o objetivo de tomar posse de terras devolutas em Goiás, no começo do século XIX, entre 1810 e 1820. Viajando em caravana, um dos seus membros adoeceu gravemente, forçando uma parada de alguns meses, onde é atualmente o município de Monte Alegre de Minas. Na falta de remédios, o chefe, devoto de São Francisco das Chagas, prometeu a construção de uma capela. Obtida a graça da cura, resolveram aguardar até que fosse cumprida a promessa.
Outros aventureiros que chegaram, pelo mesmo itinerário, formaram uma agregação às famílias de José Antônio Pereira, Gonçalves da Costa, Martins de Sá, Manoel Feliz e Cardosos. Acabaram por construir ranchos simples, com os recursos naturais do lugar, perto dos córregos “Maria Elias” e “Monte Alegre” de boa água, assim como a família de Martins Pereira. Construída a capela, seguindo o estilo franciscano com simplicidade que os recursos da época permitiam, dando origem ao arraial de São Francisco das Chagas de Monte Alegre.
As famílias que ali se instalaram, fizeram casamentos entre seus filhos e o arraial cresceu. Segundo Eurípedes Barsanulfo Pereira, trineto de José Antônio Pereira, este veio para Monte Alegre no meio do século XIX e suas filhas Maria Carolina Pereira e Ana Constança Pereira, casaram-se com irmãos Manoel e Gonçalves Martins, ambos filhos dos fundadores do arraial.(PEREIRA, 2002:92).
Por volta de 1820 surgiram edificações melhores, como as residências dos Vilelas e Andrades, Soares Parreira e Ribeiro Guimarães, no entorno da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas.
O Episódio da Guerra do Paraguai
O episódio da Guerra do Paraguai e a Retirada de Laguna marcaram os moradores da região, quando a coluna do Exército Brasileiro chega ao arraial para recrutar jovens para reforços, os voluntários da Pátria, em 1865. Minas Gerais apresentou o maior contingente. Nas solenidades de despedidas foram rezadas missas, realizaram discursos, fizeram juramento à Bandeira e em especial a Banda de Música Mineira já tradicionalmente conhecida naquela época pela sua boa produção musical. Animou aos que partiam e acalentava os que ficavam.
Os interesses que levaram a Guerra segundo Paulo Duarte foram relacionados às afrontas ao Império e Tentativas de ocupação da Província do Mato Grosso pelo Governo Paraguaio. Contudo na visão de Léon Pomer, diz que esta foi uma guerra de rampina, mantida e camuflada por interesses obscuros.
Os mineiros, a maioria convocados como voluntários foram corajosos e capazes de grandes sacrifícios pela Honra da Pátria conforme afirmou Paulo de Queiroz Duarte em “Os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai”.
Após a derrota em Laguna, as tropas regressavam para suas origens e a marcha de retorno não foi amena e no desespero chegavam algumas vezes a achar que se tratava de uma conspiração divina contra eles. Aos poucos tudo se resumia num verdadeiro caos de desordem e desespero. Os ruídos emitidos pelos inimigos, mugidos do gado, explosões, uma verdadeira apoteose em potência.
Muitos corpos ficaram para traz, a maioria mortos, entre outros abandonados num episódio triste agonizando até a morte vinda da doença (cólera), ou sendo aliviados posteriormente ao abandono pela crueldade dos inimigos que lhes amarravam em árvores e decepavam suas cabeças num ritual de perversidade macabra.
No decorrer dos caminhos trilhados cruzaram com o inimigo e muitas vezes foram vitoriosos nas lutas travadas. Mas também travaram lutas contra a fome e a miséria onde muitos não sobreviveram.
Reduzidos à roupa do corpo e com muita dor vinda de quase todos os sentidos pelas perdas, pelos ferimentos, por todas as experiências vividas nos combates, 395 homens chegaram em Cuiabá em 15 de outubro de 1867.e ainda passariam pelo surto de varíola que dominava Cuiabá. Para tanto, foram vacinados embora em relatórios partidos de Uberaba contam que estas vacinas não surtiram efeito. Acredita-se que neste retorno, perdeu-se mais algumas praças que segundo relatos, de moradores montealegrenses. Cinco deles vieram fazer sua última morada no município de Monte Alegre de Minas.
Esses voluntários que em 1867 passaram por Monte Alegre de Minas, vinham de um acampamento militar no Caçu e Caximbo, nos arredores de Uberaba, rumando para Santa Rita do Paranaíba (Itumbiara-GO), Dores do rio Verde, Coxim para lutar no Paraguai.
Ao se retirar de Laguna, parte desta tropa voltou pelo mesmo roteiro, passando por Dores do Rio Verde vindo de Coxim. O 20º Batalhão de Goiás voltou para Vila Boa.
A três quilômetros da cidade de Monte Alegre de Minas, a quase 1000 metros da rodovia BR-365 que demanda a Brasília, está localizado um Monumento Histórico, Tombado como Patrimônio Histórico Municipal e com processo aberto no IPHAN para possível Reconhecimento como Patrimônio Histórico Nacional, que acolheu os Voluntários da Pátria, alguns em sua última morada, vitimados pela varíola.
No dia 11 de junho de 1967, no Centenário da Retirada da Laguna, o senhor Alaor Guimarães Mendonça conseguiu inaugurar um obelisco e um pequeno muro de proteção às sepulturas dos soldados mortos, que eram antes somente marcados com algumas estacas de aroeiras.
Em 2008, o Prefeito Municipal Dr. Último Bittencourt de Freitas, na gestão cultural do Diretor Municipal de Cultura e Turismo, Sr. Leonardo Augusto Reis iniciaram obras de revitalização do monumento em homenagem aos heróis da Retirada da Laguna, bem como a construção do Museu Municipal da retirada da Laguna.
Em homenagem ao principal historiador e divulgador da passagem das tropas da Retirada de Laguna em Monte Alegre de Minas, a Câmara Municipal deste município aprovou e o Prefeito Municipal sancionou a Lei que nomeia o Museu municipal como “Museu Municipal Alaor Guimarães Mendonça”.
Após regressar das batalhas, os Heróis da Campanha de Laguna retornaram à região mineira dos povoados do Prata e Monte Alegre, retomando o processo de ocupação da área. Nesse período, em 1872, José Antônio Pereira, juntamente com seu filho Antônio Luiz Pereira e comitiva trilhou os mesmos caminhos percorridos pela expedição de Laguna e encontrou a até então desabitada por civilizados, Campo Grande, fundando essa capital próspera.(PARREIRA, 2002:94)
Monte Alegre: Do desmembramento do município de Prata à emancipação Política e sua formação Político-administrativa
Monte Alegre era distrito do município de Prata, e foi desmembrado pela Lei Provincial n.º 1664, de 16 de setembro de 1870, considerado o aniversário da cidade.
A comarca de Monte Alegre de Minas foi criada pela Lei Provincial n.º 3123 de 18 de outubro de 1883. Nesse período se destacava a figura do Coronel Antônio Fernandes Villela de Andrade que participou ativamente dos primeiros movimentos de organizações políticas do arraial, ocupando cargos relevantes de 1º Intendente, 1º Agente Executivo, 1º Presidente da Câmara Municipal entre 1872 à 1876.
Monte Alegre recebeu status de cidade pelo Decreto Lei n° 148 de 17 de dezembro de 1938. A primeira instalação da Câmara Municipal se deu em 16 de novembro de 1872, composta pelos senhores Antônio Fernandes Villela de Andrade, Antônio Martins de Sá, Joaquim Inácio Pires, João Crisóstomo Vieira, José Carlos de Paiva Júnior, José Manoel Pereira, Benedicto d’ Abbadia Fontoura e José Manoel Vidigal.
A evolução administrativa se deu na seguinte ordem cronológica: Presidente da Câmara Municipal e Agentes Executivos, que correspondiam ao cargo de Prefeito. Atualmente existem de forma atuante os cargos de Prefeito Municipal no âmbito do Executivo e os Vereadores no Legislativo. No período de 1872 à 1929 não existia o cargo de Prefeito porém o Presidente da Câmara Municipal atuava como Agente Executivo, ou seja, era escolhido no Legislativo o Presidente com a atuação do prefeito.
Até esse período, segundo a senhora Vanda Pereira da Cunha, os vereadores não eram remunerados e pagavam multas quando não compareciam às reuniões sem dar justificativas. Todas as decisões sobre o município eram tomadas pela Câmara e para cada uma formavam-se comissões, nada era decidido isoladamente.
A partir de 1930, passou a existir o cargo de prefeito, desmembrando-se da Câmara Municipal sendo que o primeiro Prefeito municipal foi o senhor Nicanor Parreira.
Em 1970, no centenário de emancipação política de Monte Alegre, o Prefeito era Derly Villela Parreira, descendente em terceiro grau do primeiro homem público de Monte Alegre, Antônio Fernandes Villela de Andrade e filho do primeiro Prefeito Municipal.
Nesse período surgiram as primeiras ações preservacionistas, em relação ao patrimônio histórico municipal, através dos intelectuais da época: Alaor Guimarães Mendonça, historiador, pintor autodidata que retratou em óleo e tela imagens da antiga Monte Alegre e se empenhou no resgate da história e seu reconhecimento público, do “Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna”. Outro nome relevante para as ações de Preservação foi o de Jerônimo Arantes, autor da pesquisa “Como Fizeram Monte Alegre”. Esta sua publicação foi distribuída nas solenidades alusivas às comemorações do centenário.
Embora Monte Alegre, possa ser considerada uma das “Terras Mãe” da região triângulina, sua história ficou fragmentada e nos servimos até os dias atuais dessas duas publicações como fonte de pesquisa.
A formação política e evolução administrativa de Monte Alegre de Minas foi a seguinte:
PRESIDENTES DA CÂMARA MUNICIPAL E AGENTES EXECUTIVOS:
01º - (1872 a 1876) Antônio Fernandes Villela de Andrade;
02º - (1877 a 1880) Luiz Beltrão de Novais;
03º - (1881 a 1884) Manoel Antônio de Faria;
04º - (1885 a 1889) Antônio Fernandes Villela – reeleito
05º - (1890 a 1893) Modesto Martins de Sá;
06º - (1893 a 1895) Vicente Meireles do Carmo;
07º - (1896 a 1899) Antônio Tomaz Ferreira de Rezende;
08º - (1900) João Afonso da Silva;
09º - (1901 a 1904) João Inácio de Lima;
10º - (1905 a 1908) João José Carlos Peixoto;
11º - (1909) Arlindo Parreira;
12º - (1910) Ananias Mendonça;
13º - (1911 a 1913) Etelvino de Ávila Pina;
14º - (1914 a 1918) José Caetano Machado;
15º - (1919 a 1922) José Ribeiro Guimarães Sobrinho;
16º - (1923 a 1926) Antônio José Carlos Peixoto;
17º - (1927) Adoniro Caetano;
18º - (1927 a 1929) Nicanor Parreira.
PREFEITOS MUNICIPAIS:
01º - (1930 a 1945) Nicanor Parreira;
02º - (novembro 1945 a fevereiro 1946) Tito Lívio de Araújo Marini;
03º - (março a dezembro de 1946) Nicanor Parreira - reeleito;
04º - (janeiro a março de 1947) Litz Viana;
05º - (abril a setembro de 1947) Juvenal Luiz Mamede;
06º - (outubro a dezembro de 1947) Claudomiro Pena Fernandes;
07º - (1948 a 1951) Nicanor Parreira – 3º mandato;
08º - (1951 a 1955) Luiz Dutra Alvim;
09º - (1955 a 1957) Antônio Peixoto Filho;
10º - (1957 a 1958) Juveval Luiz Mamede – reeleito
11º - (20/11/1958 a 31/01/1959) Paulo Bernardes;
12º - (1959 a 1963) Luiz Dutra Alvim – reeleito;
13º - (1963 a 1967) Paulo Bernardes – reeleito;
14º - (1967 a 1971) Derly Villela Parreira;
15º - (1971 a 1973) Ademar Delfino de Moura;
16º - (1973 a 1976) Braz Vieira;
17º - (1977 a 1982) Ademar Delfino de Moura – reeleito;
18º - (1983 a 1988) Virgílio Galeno de Faria Alvim;
19º - (1989 a 1992) Eurípedes Lima Andreani;
20º - (1993 a 1996) Ciro de Araújo Mendonça;
21º - (1997 a 2000) Eurípedes Lima Andreani – reeleito;
22º - (2001 a 2004) Aécio Dantas de Souza;
23º - (2005 a 2008) Último Bittencourt de Freitas;
24º - (mandato previsto: 2009 a 2012) Último Bittencourt de Freitas – reeleito;
A Divisão do Município de Monte Alegre
A divisão oficial do município ocorreu em 22 de maio de 1905, a sua área é superior a 8.000 Km2. Em 1911, fez-se uma subdivisão do município, cuja área de 2.400Km2 ficou para o município de Abadia de Bom Sucesso (Tupaciguara), criado naquele ano. Em 1948, acresceu-lhe ainda um segundo corte de 1.200Km2 aproximadamente, onde ficam hoje os municípios de Canápolis (emancipado em 27/12/1948) e Centralina (emancipada em 09/01/1954). Para o território do antigo município ficaram aproximadamente 3.200Km2, sendo esta extensão ainda superior a de outros municípios da região. (ARANTES:1970:13)
Base econômica do município de Monte Alegre de Minas
A exploração agrícola sempre foi a base da economia local. O território do município é sulcado por diversos rios. Rio Tejuco, que forma divisa com o município do Prata; o Rio Piedade com nascente no município e deságua no Paranaíba (Goiás); o Rio Babilônia, além de muitos ribeirões e córregos, em todas as direções, dos quais principais: o Bebedouro, Monte Alegre, Maria Elias, Pântano, Douradinho, Passa Três e outros. Com a temperatura média anual de 22°C e seu relevo 60% plano, somada a essa riqueza hídrica, as terras do município se prestam a toda espécie de cultura.
Por volta de 1914 os principais produtos cultivados eram cereais em geral: arroz, milho, feijão. Mas o destaque da economia era o arroz, café, cana de açúcar para produção de açúcar e aguardente. Na pecuária destacava-se o gado ZEBU, Gado Inglês e cavalos de raça.
A abacaxicultura foi introduzida em Monte Alegre de Minas em 1940 aproximadamente, obtendo o alcance comercial em 1942. O abacaxi destacou-se tanto na economia local, que a partir de 1961 as administrações municipais voltaram-se mais para essa cultura e promoveu o 1º Festival do abacaxi que movimentou toda comunidade.
O destaque crescente da abacaxicultura, foi tamanha que em 7 de setembro de 1975, foi homenageado compondo um quadrante do Brasão da Bandeira Municipal criada nessa data. através de uma grande campanha de Marketing desenvolvida através da Prefeitura Municipal entre 1983 à 1988. O abacaxi montealegrense se consagrou nacionalmente, fazendo de Monte Alegre de Minas a “Capital Brasileira do Abacaxi”.
A assistência técnica veio em 1964 com a instalação da ACAR no município, hoje EMATER, órgão de assistência rural. Através da fixação da EMATER em Monte Alegre de Minas, foram realizados vários cursos e palestras sobre a cultura do abacaxi. Com a junção de novas tecnologias, aliadas à qualidade das mudas e ao solo e clima propícios do município. O abacaxi mantém ainda hoje uma posição privilegiada no Triângulo Mineiro. O “glamour” da década de 60, não é mais o mesmo, é certo, mas é como no dito popular “quem foi rei jamais perde a majestade”. O abacaxi que propiciou a ascensão social de muitos trabalhadores, especialmente meeiros e arrendatários, não deixou de ser parte expressiva na economia local. Hoje o abacaxi, divide espaço agrícola com a cana-de-açúcar, a laranja, a mandioca, e a soja. Na pecuária registra-se em destaque crescente os galináceos, frango e peru e na espécie bovina as raças Girolando, Nelore e Nelorado(Fonte IBGE).
As atividades econômicas na cidade são mais ligadas ao setor primário, setor de prestação de serviço, o que lhe mantém as características interioranas de tranqüilidade, com grande potencial turístico em desenvolvimento.
Traçado Urbano de Monte Alegre de Minas
O traçado urbano de Monte Alegre de Minas foi determinado pela construção da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas. No seu entorno foram edificadas as primeiras praças, residência e prédios públicos. Segundo o livro de atas da Câmara Municipal, de 1879, as primeiras ruas abertas receberam nomes de santos: Santo Antônio, São Pedro, São Sebastião, São Francisco, etc. sendo que ainda hoje existe a Rua São Francisco, as demais sofreram alterações nos nomes.
Em 1959 a Lei n.º 330, delimita as zonas urbanas e sub-urbanas da cidade e nelas são mencionadas as ruas Adoniro Caetano e Artur Bernardes. Essas duas ruas acompanham o alinhamento dos córregos “Monte Alegre” e “Maria Elias”, que também encontram na área de entorno próxima à Igreja Matriz de São Francisco das Chagas. Essa área central constitui o núcleo urbano inicial, nela concentram-se: a Igreja de São Francisco das Chagas; as principais praças, Nicanor Parreira, Luiz Dutra Alvim, Derly Vilela Parreira (Cívica), do Caboclo; os serviços de banco com quatro agências, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Credipontal; Terminal Rodoviário; Fórum; Câmara Municipal; Prefeitura; Lanchonetes; Bares; Parque de Exposições; Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa; Ginásio Poli Esportivo; Estádio de Futebol; Clubes de Lazer e Comércio Lojista.
A partir de 1940, iniciou a primeira expansão urbana, período em que houve a construção da BR 365 que dividiu a cidade em duas partes. Surgiu de um lado da BR, na região que ficou conhecida como “Cundungo”, os bairros Rancho Alegre, Flamengo e Bela Vista. Do outro lado próximo ao centro, surgiram os bairros: Santo Antônio, Chapada, Santa Maria, Prudente e Petrópolis.
Na década de 80, houve uma segunda expansão urbana com a criação de conjuntos habitacionais, determinando o surgimento de novos bairros, Paloma 1 e 2.
Na década seguinte, surgiram o Jardim Eldorado e os Bairros Nossa Senhora Aparecida, Sagrada Família, São Francisco, Toribaté e Industrial.
Limitações do Município e localização
Atualmente fazemos limite com os municípios: a leste Uberlândia, a oeste com Canápolis e Centralina, ao norte com Tupaciguara e Araporã e ao sul com Prata e Ituiutaba. Estamos distante 68 km de Ituiutaba, 65 km de Uberlândia. Entre estes dois pólos industriais, a 601 km da capital mineira Belo Horizonte e 479 km da capital federal Brasília (segundo AMVAP). Monte Alegre de Minas está servida por duas rodovias, BR365 e MG153.
Meios de Transporte
Os meios de transporte utilizados no município são: ônibus, caminhão, carros, motos, bicicletas, carroças, e cavalos. No terminal rodoviário, no centro da cidade, circulam os veículos da Viação Platina, Transcol, Nacional Expresso, Viação Uberlândia e Gontijo. Outro ponto de embarque e desembarque é o Posto Trevão. Na região do Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna, próximo à BR365, existe uma pista de pouso municipal que recebe aeronaves de pequeno porte.
Educação no município
A educação é assegurada em Monte Alegre de Minas pela atuação das escolas: Escola Municipal Márcia Caetano Alves, Escola Municipal Antenor Airosa Machado, Núcleo Municipal de Pré-Escolar Miraci de Souza Mesquita, Escola Municipal Rural Leandro Marquês, Escola Municipal Rural Fernando Vilela, Escola Municipal Rural Nicanor Parreira, Escola Municipal Rural José Cabral Vieira, Escola Estadual Tancredo Martins, Escola Estadual de Monte Alegre de Minas 1º e 2º Graus, Escola Estadual Eufrausina da Costa Araújo, Escola estadual Professor Alex Machado Knippel, Centro Educacional Gilda Araújo Mendonça (APAE), Centro Educacional Montealegrense (CEM), Educandário Arco-Íris, Casa Escola Primeiros Passos e cursinho pré-vestibular, ministrado aos sábados pela equipe de professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Cultura Esporte, Lazer e Turismo em Monte Alegre de Minas
A Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa representa um suporte a mais para o bom funcionamento das escolas locais como local de pesquisa para estudantes de toda rede de ensino. Como fontes de enriquecimento cultural existem ainda os espaços: Centro Municipal de Artes (CEMA), Centro de Multi Uso Célia Carvalho Diniz, no bairro Flamengo, Centro de Multi Uso Giovana Russo Mendonça (GIGI), no bairro Jardim Eldorado.
O lazer, a cultura e as práticas esportivas têm como espaço referência: Clube Campestre do Buriti; Parque de Exposições Alysson Paulinelli; Clube Literário e Recreativo; Clube da Associação Beneficente Bárbara Heliodora; Espaço Cultural Adélia Alvim; dois Ginásios Poliesportivos; duas quadras cobertas; além de outras quadras espalhadas pelos bairros da cidade e zona rural; Conjunto Arquitetônico e Urbanístico Igreja Matriz de são Francisco das Chagas e Praças Nicanor Parreira e Luiz Dutra Alvim; Praça Derly Vilela Parreira (Cívica); Praça do Caboclo; Praça Inconfidência; são palcos temporários de atividades de cultura e lazer. Atualmente são promovidos torneios de truco, Campeonato Regional de Futebol, Torneios Municipais de Futebol de Grama e Salão.
Na Praça Nicanor Parreira acontece a cada quinze dias a Feira Cultural e Artesanal de Monte Alegre de Minas, no entorno do Coreto Municipal Maestro Hildebrando dos Reis. Nesta Feira os artesãos da cidade expõem seus produtos para venda e os grupos artísticos da cidade se apresentam como academias de dança, banda municipal, grupos teatrais, rodas de capoeira, alunos de música, bem como a beleza da fonte luminosa.
Monte Alegre de Minas é uma cidade festiva, que movimenta a comunidade local e cidades vizinhas. As festas religiosas são as mais antigas e tradicionais. Grande parte destas festas existe desde a fundação do município. São elas: Festa de São Sebastião de 11 a 20 de janeiro, na Igreja Matriz de São Francisco das Chagas; Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, de 4 a 14 de maio, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, com grupos de Congadas e Moçambiques; Festa do Divino Pai Eterno, no primeiro domingo de junho, na Capela Alto Alegre no Lobo; Festa de São João Batista, no segundo domingo de julho, na Capela de São João Batista, no Povoado dos Garcias; Festa do Divino Pai Eterno, no terceiro domingo de julho, na Capela da Prata, na Skalada; Festa de Nossa Senhora do Desterro, no segundo domingo de setembro, no Povoado dos Garcias; Festa de Nossa Senhora das Graças, no terceiro domingo de setembro na Capela da Prata; Festa de São Francisco das Chagas (padroeiro da cidade), dia 4 de outubro, na Igreja Matriz São Francisco das Chagas; Festa de Nossa Senhora Aparecida e Santa Terezinha, dia 17 de outubro, na Capela Alto Alegre no Lobo; Folias de Reis durante todo o ano, conforme as companhias de Folia. Existem outras festas como carnaval, em fevereiro, a Exposição e Feira Agropecuária em abril, as festas juninas e o aniversário da cidade em 16 de setembro, que igualmente movimentam a “Terra da Felicidade”.
Outro evento considerado tradicional na cidade são as feiras: Feira Agropecuária acima citada, feira livre dominical, com apresentações populares e as feiras de conhecimento promovidas pelas escolas.
Monte Alegre de Minas é uma cidade com muitos artistas, artesãos e músicos, portanto vale ressaltar a tradicional Banda Municipal Maestro Victal Reis. Fundada em 1920, pelo maestro Hildebrando Reis, a banda acompanha e já abrilhantou grande parte das manifestações culturais montealegrenses.
O município possui atrativos turísticos de importância que estendem seus limites geográficos, como o Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna, local onde a Prefeitura Municipal está construindo um Museu, inúmeras cachoeiras, a gastronomia derivada da abacaxicultura, as festas folclóricas e agropecuárias. Para quem transita pela BR 365, existe à disposição barracas de artesanatos e o “famoso” pastel do Posto Trevão.
A Festa de Congada é marcante e Tradicional em Monte Alegre de Minas. Acontece anualmente com início no sábado de aleluia encerrando-se oficialmente no dia 14 de maio. O dia mais marcante da festa é no dia 13 de maio com alvorada, desfile dos ternos de congadas e moçambiques, missa procissão. No encerramento em 14 de maio, acontece encontro dos ternos, missa, trança de fitas, descida do mastro e despedidas. Em Monte Alegre existem 10 ternos sendo eles 06 Congados e 04 moçambiques.
O Hino Municipal
O Hino Municipal de Monte Alegre de Minas, denominado “Terra da Felicidade” foi composto com letra e música pelo Maestro e Músico Antônio Luiz de Souza, conhecido na cidade como Professor Tonato
O hino foi oficializado como Hino Oficial de Monte Alegre de Minas, através da LEI 1.659 DE 30 DE DEZEMBRO DE 1992.
Terra da Felicidade é executado em eventos solenes e tocado, conforme Regimento Interno da Banda Municipal Maestro Victal Reis, em todas as apresentações da Banda Municipal, com arranjo apropriado para Bandas elaborado pelo Maestro Leonardo Augusto Reis, no início ou término de cada apresentação, realizadas em Monte Alegre de Minas, solenes ou não.
TERRA DA FELICIDADE
Antônio Luiz de Souza (PROFESSOR TONATO)
DIZEM QUE A FELICIDADE,
CERTA VEZ SAIU A PROCURAR,
DE CIDADE, EM CIDADE,
UMA DELAS PRA MORAR.
E CHEGANDO AQUI UM DIA,
PERNOITOU PRA DESCANSAR,
E VENDO TANTA PAZ, TANTA ALEGRIA,
RESOLVEU AQUI FICAR.
MONTE ALEGRE, MONTE ALEGRE,
PORQUE É QUE TODA GENTE TE QUER BEM
TENS UM QUÊ, UM QUÊ DE DIFERENTE,
QUE NENHUMA OUTRA TERRA TEM.
TUAS NOITES LINDAS, SÃO MAIS LINDAS,
É MAIS LINDO O TEU LUAR,
FOI POR ISSO QUE A FELICIDADE,
TE ESCOLHEU PRA MORAR.
Texto Retirado dos Arquivos do Departamento Municipal de Cultura e Turismo
Terra de Paz e bem
Terra da Felicidade
Terra do mais saboroso abacaxi
Fatos Históricos na Formação da Região do Triângulo Mineiro
Os dados históricos revelam que a região que compreende “o rio Tietê abaixo, indo para o Mato Grosso e Goiás”, ou seja, incluindo o atual Triângulo Mineiro, era conhecida pelos bandeirantes como a ”região dos bilreiros ou Caiapós” (Taunay 1875). Há inúmeras referências que indicam que o Triângulo era uma área de influência dos grupos Kayapó do Sul. Em 1817, Spix (1981:212) menciona a presença de “bandos” isolados e rebeldes de Kayapós na parte ocidental da Província de Minas, “no outro lado do rio São Francisco”. Segundo Ribeiro (1996:87) “Caiapônia”, a terra dos Kayapós do Sul, pertencentes à família lingüística Jê, seria todo território hoje compreendido ente sul de Goiás, sudeste do Mato Grosso, Triângulo Mineiro e noroeste de São Paulo.
“A Zona que atualmente consiste o Triângulo Mineiro foi parte integrante, até 1720, da antiga Capitania Geral de São Paulo. Em 1748 dela se destacando a Capitania de Goiás, ficou o território do triângulo pertencendo a esta até 4 de abril de 1816, quando dela se desmembrou, incorporando-se à Capitania de Minas Gerais.” (Capri, 1916)
A região do triângulo foi percorrida a partir do século XVII por bandeirantes vindos do sul. A primeira expedição documentada que provavelmente atravessou o atual território do triângulo, foi a expedição de Pero Domingues, que em 1613, saído de São Paulo foi a confluência do rio Araguaia com o Tocantins. Várias outras bandeiras a sucederam. Depois da descoberta de ouro em Goiás no século XVIII, a região se tornou uma área de passagem obrigatória para os mineradores e tropeiros, aumentando a pressão sobre os grupos indígenas locais.
Gradativamente, apesar de todos os seus esforços, os Kayapós foram perdendo terreno, inicialmente para os bandeirantes, que penetraram o sertão em busca de escravos e ouro, depois, já no século XIX, pela expansão agropecuária de Minas Gerais e São Paulo. A expansão territorial se deu inicialmente a partir do atual distrito de Sacramento(Desemboque) localizado ao sul do município de Araxá. Dali partiram expedições que tornaram conhecida toda extensão do sertão da Farinha Podre(Barbosa, 1971:160-162). Toda essa região passou a pertencer em 1816 a Minas Gerais em vez de Goiás, por ato de D. João, graças à interferência dos moradores de São Domingos do Araxá(Barbosa, 1971:523-526).
No século XIX, os Kayapós já eram prisioneiros e intrusos naquela região que fora a terra de seus antepassados. Seu acaso ocorre no século XX, o último grupo registrado era composto por pouco mais de 30 sobreviventes que residiam às margens do Rio Grande, em Salto Vermelho/SP.
A história de Monte Alegre de Minas está relacionada às rotas das expedições que desbravaram o triângulo Mineiro onde surgiram diversos povoados que deram origem às cidades como Araxá, Prata, Uberaba, dentre outras.
Foi no município do Prata que surgiu o povoado de São Francisco das Chagas de Monte Alegre.
Dentro do contexto histórico, Monte Alegre de Minas surgiu por uma graça atribuída a São Francisco das Chagas, que se tornou o seu padroeiro.
Sobre o perfil do precursor dessa história, consta que Francisco nasceu em Assis na Itália por volta de 1181 e 1182. Atendeu ao chamado de Jesus Cristo e tornou-se um exemplo vivo de fé e glória a Deus. Através do seu grande amor e zelo por todas as criaturas, não excluiu nenhum irmão, tornando-o um Santo ecumênico e padroeiro da ecologia. Francisco optou por viver a pobreza mundana com simplicidade, humildade, fraternidade, retidão, oração e muita fé. Dedicou-se à missão de levar paz e bem ao próximo. Vivia conforme o Senhor lhe inspirava assim tornou-se o poeta da criação. O reconhecimento de Deus pela sua fé se materializou por volta de 1224, quando ele recebeu as Chagas ou estigmas de Jesus Cristo. “Após passar vários dias sozinho, em silêncio, em oração diante da cruz, pediu a Jesus que pudesse sentir em sua carne, tanto quanto possível, as dores que tinha sentido na Paixão. Então, Francisco recebeu os estigmas de Jesus, um anjo lhe imprimiu as chagas das mãos, dos pés e do lado direito do Senhor. A mesma ferida, a mesma dor, deixou Francisco feliz, privilegiado por sofrer como Jesus Cristo, que deu a vida por amor, deu a vida por ele e por todos nós.” Assim Francisco de Assis passou a ser conhecido também por São Francisco das Chagas, ao qual muitos ainda recorrem para pedir curas.
A Origem do Nome Monte Alegre
Sobre o nome “Monte Alegre”, antigos moradores da comunidade afirmam que na Serrinha, região mais alta da cidade e localizada na sua entrada principal, sentido Uberlândia – Monte Alegre de Minas, os moradores ali se reuniam para programar os trabalhos rurais, pagodes comemorativos, rezas de terços, entre outros motivos, mas sempre com muita alegria, sugestionando o primeiro nome do arraial. Posteriormente, devido a confusões ocasionadas por desvio de correspondências para outras “Monte Alegres”, de outros estados, pelo Decreto de Lei Estadual n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, recebeu o nome “Toribaté”. Em 1949 retorna ao nome inicial acrescido de “Minas”, permanecendo “Monte Alegre de Minas”, até a atualidade.
O município de Monte Alegre de Minas encontra-se, portanto, no Triângulo Mineiro, em terreno de aspecto montanhoso e com área atual de 2.718 Km2. Situa-se em uma altitude de 899m, tem como coordenadas geográficas 19º52’10” de latitude sul e 48º52’41” de longitude MCR, e distante de Belo horizonte 535 Km em linha reta.
O Surgimento do povoado e das primeiras habitações
O surgimento do povoado ocorreu quando uma numerosa família mineira, chefiada por Martins Pereira, mudou-se para a região, com o objetivo de tomar posse de terras devolutas em Goiás, no começo do século XIX, entre 1810 e 1820. Viajando em caravana, um dos seus membros adoeceu gravemente, forçando uma parada de alguns meses, onde é atualmente o município de Monte Alegre de Minas. Na falta de remédios, o chefe, devoto de São Francisco das Chagas, prometeu a construção de uma capela. Obtida a graça da cura, resolveram aguardar até que fosse cumprida a promessa.
Outros aventureiros que chegaram, pelo mesmo itinerário, formaram uma agregação às famílias de José Antônio Pereira, Gonçalves da Costa, Martins de Sá, Manoel Feliz e Cardosos. Acabaram por construir ranchos simples, com os recursos naturais do lugar, perto dos córregos “Maria Elias” e “Monte Alegre” de boa água, assim como a família de Martins Pereira. Construída a capela, seguindo o estilo franciscano com simplicidade que os recursos da época permitiam, dando origem ao arraial de São Francisco das Chagas de Monte Alegre.
As famílias que ali se instalaram, fizeram casamentos entre seus filhos e o arraial cresceu. Segundo Eurípedes Barsanulfo Pereira, trineto de José Antônio Pereira, este veio para Monte Alegre no meio do século XIX e suas filhas Maria Carolina Pereira e Ana Constança Pereira, casaram-se com irmãos Manoel e Gonçalves Martins, ambos filhos dos fundadores do arraial.(PEREIRA, 2002:92).
Por volta de 1820 surgiram edificações melhores, como as residências dos Vilelas e Andrades, Soares Parreira e Ribeiro Guimarães, no entorno da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas.
O Episódio da Guerra do Paraguai
O episódio da Guerra do Paraguai e a Retirada de Laguna marcaram os moradores da região, quando a coluna do Exército Brasileiro chega ao arraial para recrutar jovens para reforços, os voluntários da Pátria, em 1865. Minas Gerais apresentou o maior contingente. Nas solenidades de despedidas foram rezadas missas, realizaram discursos, fizeram juramento à Bandeira e em especial a Banda de Música Mineira já tradicionalmente conhecida naquela época pela sua boa produção musical. Animou aos que partiam e acalentava os que ficavam.
Os interesses que levaram a Guerra segundo Paulo Duarte foram relacionados às afrontas ao Império e Tentativas de ocupação da Província do Mato Grosso pelo Governo Paraguaio. Contudo na visão de Léon Pomer, diz que esta foi uma guerra de rampina, mantida e camuflada por interesses obscuros.
Os mineiros, a maioria convocados como voluntários foram corajosos e capazes de grandes sacrifícios pela Honra da Pátria conforme afirmou Paulo de Queiroz Duarte em “Os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai”.
Após a derrota em Laguna, as tropas regressavam para suas origens e a marcha de retorno não foi amena e no desespero chegavam algumas vezes a achar que se tratava de uma conspiração divina contra eles. Aos poucos tudo se resumia num verdadeiro caos de desordem e desespero. Os ruídos emitidos pelos inimigos, mugidos do gado, explosões, uma verdadeira apoteose em potência.
Muitos corpos ficaram para traz, a maioria mortos, entre outros abandonados num episódio triste agonizando até a morte vinda da doença (cólera), ou sendo aliviados posteriormente ao abandono pela crueldade dos inimigos que lhes amarravam em árvores e decepavam suas cabeças num ritual de perversidade macabra.
No decorrer dos caminhos trilhados cruzaram com o inimigo e muitas vezes foram vitoriosos nas lutas travadas. Mas também travaram lutas contra a fome e a miséria onde muitos não sobreviveram.
Reduzidos à roupa do corpo e com muita dor vinda de quase todos os sentidos pelas perdas, pelos ferimentos, por todas as experiências vividas nos combates, 395 homens chegaram em Cuiabá em 15 de outubro de 1867.e ainda passariam pelo surto de varíola que dominava Cuiabá. Para tanto, foram vacinados embora em relatórios partidos de Uberaba contam que estas vacinas não surtiram efeito. Acredita-se que neste retorno, perdeu-se mais algumas praças que segundo relatos, de moradores montealegrenses. Cinco deles vieram fazer sua última morada no município de Monte Alegre de Minas.
Esses voluntários que em 1867 passaram por Monte Alegre de Minas, vinham de um acampamento militar no Caçu e Caximbo, nos arredores de Uberaba, rumando para Santa Rita do Paranaíba (Itumbiara-GO), Dores do rio Verde, Coxim para lutar no Paraguai.
Ao se retirar de Laguna, parte desta tropa voltou pelo mesmo roteiro, passando por Dores do Rio Verde vindo de Coxim. O 20º Batalhão de Goiás voltou para Vila Boa.
A três quilômetros da cidade de Monte Alegre de Minas, a quase 1000 metros da rodovia BR-365 que demanda a Brasília, está localizado um Monumento Histórico, Tombado como Patrimônio Histórico Municipal e com processo aberto no IPHAN para possível Reconhecimento como Patrimônio Histórico Nacional, que acolheu os Voluntários da Pátria, alguns em sua última morada, vitimados pela varíola.
No dia 11 de junho de 1967, no Centenário da Retirada da Laguna, o senhor Alaor Guimarães Mendonça conseguiu inaugurar um obelisco e um pequeno muro de proteção às sepulturas dos soldados mortos, que eram antes somente marcados com algumas estacas de aroeiras.
Em 2008, o Prefeito Municipal Dr. Último Bittencourt de Freitas, na gestão cultural do Diretor Municipal de Cultura e Turismo, Sr. Leonardo Augusto Reis iniciaram obras de revitalização do monumento em homenagem aos heróis da Retirada da Laguna, bem como a construção do Museu Municipal da retirada da Laguna.
Em homenagem ao principal historiador e divulgador da passagem das tropas da Retirada de Laguna em Monte Alegre de Minas, a Câmara Municipal deste município aprovou e o Prefeito Municipal sancionou a Lei que nomeia o Museu municipal como “Museu Municipal Alaor Guimarães Mendonça”.
Após regressar das batalhas, os Heróis da Campanha de Laguna retornaram à região mineira dos povoados do Prata e Monte Alegre, retomando o processo de ocupação da área. Nesse período, em 1872, José Antônio Pereira, juntamente com seu filho Antônio Luiz Pereira e comitiva trilhou os mesmos caminhos percorridos pela expedição de Laguna e encontrou a até então desabitada por civilizados, Campo Grande, fundando essa capital próspera.(PARREIRA, 2002:94)
Monte Alegre: Do desmembramento do município de Prata à emancipação Política e sua formação Político-administrativa
Monte Alegre era distrito do município de Prata, e foi desmembrado pela Lei Provincial n.º 1664, de 16 de setembro de 1870, considerado o aniversário da cidade.
A comarca de Monte Alegre de Minas foi criada pela Lei Provincial n.º 3123 de 18 de outubro de 1883. Nesse período se destacava a figura do Coronel Antônio Fernandes Villela de Andrade que participou ativamente dos primeiros movimentos de organizações políticas do arraial, ocupando cargos relevantes de 1º Intendente, 1º Agente Executivo, 1º Presidente da Câmara Municipal entre 1872 à 1876.
Monte Alegre recebeu status de cidade pelo Decreto Lei n° 148 de 17 de dezembro de 1938. A primeira instalação da Câmara Municipal se deu em 16 de novembro de 1872, composta pelos senhores Antônio Fernandes Villela de Andrade, Antônio Martins de Sá, Joaquim Inácio Pires, João Crisóstomo Vieira, José Carlos de Paiva Júnior, José Manoel Pereira, Benedicto d’ Abbadia Fontoura e José Manoel Vidigal.
A evolução administrativa se deu na seguinte ordem cronológica: Presidente da Câmara Municipal e Agentes Executivos, que correspondiam ao cargo de Prefeito. Atualmente existem de forma atuante os cargos de Prefeito Municipal no âmbito do Executivo e os Vereadores no Legislativo. No período de 1872 à 1929 não existia o cargo de Prefeito porém o Presidente da Câmara Municipal atuava como Agente Executivo, ou seja, era escolhido no Legislativo o Presidente com a atuação do prefeito.
Até esse período, segundo a senhora Vanda Pereira da Cunha, os vereadores não eram remunerados e pagavam multas quando não compareciam às reuniões sem dar justificativas. Todas as decisões sobre o município eram tomadas pela Câmara e para cada uma formavam-se comissões, nada era decidido isoladamente.
A partir de 1930, passou a existir o cargo de prefeito, desmembrando-se da Câmara Municipal sendo que o primeiro Prefeito municipal foi o senhor Nicanor Parreira.
Em 1970, no centenário de emancipação política de Monte Alegre, o Prefeito era Derly Villela Parreira, descendente em terceiro grau do primeiro homem público de Monte Alegre, Antônio Fernandes Villela de Andrade e filho do primeiro Prefeito Municipal.
Nesse período surgiram as primeiras ações preservacionistas, em relação ao patrimônio histórico municipal, através dos intelectuais da época: Alaor Guimarães Mendonça, historiador, pintor autodidata que retratou em óleo e tela imagens da antiga Monte Alegre e se empenhou no resgate da história e seu reconhecimento público, do “Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna”. Outro nome relevante para as ações de Preservação foi o de Jerônimo Arantes, autor da pesquisa “Como Fizeram Monte Alegre”. Esta sua publicação foi distribuída nas solenidades alusivas às comemorações do centenário.
Embora Monte Alegre, possa ser considerada uma das “Terras Mãe” da região triângulina, sua história ficou fragmentada e nos servimos até os dias atuais dessas duas publicações como fonte de pesquisa.
A formação política e evolução administrativa de Monte Alegre de Minas foi a seguinte:
PRESIDENTES DA CÂMARA MUNICIPAL E AGENTES EXECUTIVOS:
01º - (1872 a 1876) Antônio Fernandes Villela de Andrade;
02º - (1877 a 1880) Luiz Beltrão de Novais;
03º - (1881 a 1884) Manoel Antônio de Faria;
04º - (1885 a 1889) Antônio Fernandes Villela – reeleito
05º - (1890 a 1893) Modesto Martins de Sá;
06º - (1893 a 1895) Vicente Meireles do Carmo;
07º - (1896 a 1899) Antônio Tomaz Ferreira de Rezende;
08º - (1900) João Afonso da Silva;
09º - (1901 a 1904) João Inácio de Lima;
10º - (1905 a 1908) João José Carlos Peixoto;
11º - (1909) Arlindo Parreira;
12º - (1910) Ananias Mendonça;
13º - (1911 a 1913) Etelvino de Ávila Pina;
14º - (1914 a 1918) José Caetano Machado;
15º - (1919 a 1922) José Ribeiro Guimarães Sobrinho;
16º - (1923 a 1926) Antônio José Carlos Peixoto;
17º - (1927) Adoniro Caetano;
18º - (1927 a 1929) Nicanor Parreira.
PREFEITOS MUNICIPAIS:
01º - (1930 a 1945) Nicanor Parreira;
02º - (novembro 1945 a fevereiro 1946) Tito Lívio de Araújo Marini;
03º - (março a dezembro de 1946) Nicanor Parreira - reeleito;
04º - (janeiro a março de 1947) Litz Viana;
05º - (abril a setembro de 1947) Juvenal Luiz Mamede;
06º - (outubro a dezembro de 1947) Claudomiro Pena Fernandes;
07º - (1948 a 1951) Nicanor Parreira – 3º mandato;
08º - (1951 a 1955) Luiz Dutra Alvim;
09º - (1955 a 1957) Antônio Peixoto Filho;
10º - (1957 a 1958) Juveval Luiz Mamede – reeleito
11º - (20/11/1958 a 31/01/1959) Paulo Bernardes;
12º - (1959 a 1963) Luiz Dutra Alvim – reeleito;
13º - (1963 a 1967) Paulo Bernardes – reeleito;
14º - (1967 a 1971) Derly Villela Parreira;
15º - (1971 a 1973) Ademar Delfino de Moura;
16º - (1973 a 1976) Braz Vieira;
17º - (1977 a 1982) Ademar Delfino de Moura – reeleito;
18º - (1983 a 1988) Virgílio Galeno de Faria Alvim;
19º - (1989 a 1992) Eurípedes Lima Andreani;
20º - (1993 a 1996) Ciro de Araújo Mendonça;
21º - (1997 a 2000) Eurípedes Lima Andreani – reeleito;
22º - (2001 a 2004) Aécio Dantas de Souza;
23º - (2005 a 2008) Último Bittencourt de Freitas;
24º - (mandato previsto: 2009 a 2012) Último Bittencourt de Freitas – reeleito;
A Divisão do Município de Monte Alegre
A divisão oficial do município ocorreu em 22 de maio de 1905, a sua área é superior a 8.000 Km2. Em 1911, fez-se uma subdivisão do município, cuja área de 2.400Km2 ficou para o município de Abadia de Bom Sucesso (Tupaciguara), criado naquele ano. Em 1948, acresceu-lhe ainda um segundo corte de 1.200Km2 aproximadamente, onde ficam hoje os municípios de Canápolis (emancipado em 27/12/1948) e Centralina (emancipada em 09/01/1954). Para o território do antigo município ficaram aproximadamente 3.200Km2, sendo esta extensão ainda superior a de outros municípios da região. (ARANTES:1970:13)
Base econômica do município de Monte Alegre de Minas
A exploração agrícola sempre foi a base da economia local. O território do município é sulcado por diversos rios. Rio Tejuco, que forma divisa com o município do Prata; o Rio Piedade com nascente no município e deságua no Paranaíba (Goiás); o Rio Babilônia, além de muitos ribeirões e córregos, em todas as direções, dos quais principais: o Bebedouro, Monte Alegre, Maria Elias, Pântano, Douradinho, Passa Três e outros. Com a temperatura média anual de 22°C e seu relevo 60% plano, somada a essa riqueza hídrica, as terras do município se prestam a toda espécie de cultura.
Por volta de 1914 os principais produtos cultivados eram cereais em geral: arroz, milho, feijão. Mas o destaque da economia era o arroz, café, cana de açúcar para produção de açúcar e aguardente. Na pecuária destacava-se o gado ZEBU, Gado Inglês e cavalos de raça.
A abacaxicultura foi introduzida em Monte Alegre de Minas em 1940 aproximadamente, obtendo o alcance comercial em 1942. O abacaxi destacou-se tanto na economia local, que a partir de 1961 as administrações municipais voltaram-se mais para essa cultura e promoveu o 1º Festival do abacaxi que movimentou toda comunidade.
O destaque crescente da abacaxicultura, foi tamanha que em 7 de setembro de 1975, foi homenageado compondo um quadrante do Brasão da Bandeira Municipal criada nessa data. através de uma grande campanha de Marketing desenvolvida através da Prefeitura Municipal entre 1983 à 1988. O abacaxi montealegrense se consagrou nacionalmente, fazendo de Monte Alegre de Minas a “Capital Brasileira do Abacaxi”.
A assistência técnica veio em 1964 com a instalação da ACAR no município, hoje EMATER, órgão de assistência rural. Através da fixação da EMATER em Monte Alegre de Minas, foram realizados vários cursos e palestras sobre a cultura do abacaxi. Com a junção de novas tecnologias, aliadas à qualidade das mudas e ao solo e clima propícios do município. O abacaxi mantém ainda hoje uma posição privilegiada no Triângulo Mineiro. O “glamour” da década de 60, não é mais o mesmo, é certo, mas é como no dito popular “quem foi rei jamais perde a majestade”. O abacaxi que propiciou a ascensão social de muitos trabalhadores, especialmente meeiros e arrendatários, não deixou de ser parte expressiva na economia local. Hoje o abacaxi, divide espaço agrícola com a cana-de-açúcar, a laranja, a mandioca, e a soja. Na pecuária registra-se em destaque crescente os galináceos, frango e peru e na espécie bovina as raças Girolando, Nelore e Nelorado(Fonte IBGE).
As atividades econômicas na cidade são mais ligadas ao setor primário, setor de prestação de serviço, o que lhe mantém as características interioranas de tranqüilidade, com grande potencial turístico em desenvolvimento.
Traçado Urbano de Monte Alegre de Minas
O traçado urbano de Monte Alegre de Minas foi determinado pela construção da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas. No seu entorno foram edificadas as primeiras praças, residência e prédios públicos. Segundo o livro de atas da Câmara Municipal, de 1879, as primeiras ruas abertas receberam nomes de santos: Santo Antônio, São Pedro, São Sebastião, São Francisco, etc. sendo que ainda hoje existe a Rua São Francisco, as demais sofreram alterações nos nomes.
Em 1959 a Lei n.º 330, delimita as zonas urbanas e sub-urbanas da cidade e nelas são mencionadas as ruas Adoniro Caetano e Artur Bernardes. Essas duas ruas acompanham o alinhamento dos córregos “Monte Alegre” e “Maria Elias”, que também encontram na área de entorno próxima à Igreja Matriz de São Francisco das Chagas. Essa área central constitui o núcleo urbano inicial, nela concentram-se: a Igreja de São Francisco das Chagas; as principais praças, Nicanor Parreira, Luiz Dutra Alvim, Derly Vilela Parreira (Cívica), do Caboclo; os serviços de banco com quatro agências, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Credipontal; Terminal Rodoviário; Fórum; Câmara Municipal; Prefeitura; Lanchonetes; Bares; Parque de Exposições; Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa; Ginásio Poli Esportivo; Estádio de Futebol; Clubes de Lazer e Comércio Lojista.
A partir de 1940, iniciou a primeira expansão urbana, período em que houve a construção da BR 365 que dividiu a cidade em duas partes. Surgiu de um lado da BR, na região que ficou conhecida como “Cundungo”, os bairros Rancho Alegre, Flamengo e Bela Vista. Do outro lado próximo ao centro, surgiram os bairros: Santo Antônio, Chapada, Santa Maria, Prudente e Petrópolis.
Na década de 80, houve uma segunda expansão urbana com a criação de conjuntos habitacionais, determinando o surgimento de novos bairros, Paloma 1 e 2.
Na década seguinte, surgiram o Jardim Eldorado e os Bairros Nossa Senhora Aparecida, Sagrada Família, São Francisco, Toribaté e Industrial.
Limitações do Município e localização
Atualmente fazemos limite com os municípios: a leste Uberlândia, a oeste com Canápolis e Centralina, ao norte com Tupaciguara e Araporã e ao sul com Prata e Ituiutaba. Estamos distante 68 km de Ituiutaba, 65 km de Uberlândia. Entre estes dois pólos industriais, a 601 km da capital mineira Belo Horizonte e 479 km da capital federal Brasília (segundo AMVAP). Monte Alegre de Minas está servida por duas rodovias, BR365 e MG153.
Meios de Transporte
Os meios de transporte utilizados no município são: ônibus, caminhão, carros, motos, bicicletas, carroças, e cavalos. No terminal rodoviário, no centro da cidade, circulam os veículos da Viação Platina, Transcol, Nacional Expresso, Viação Uberlândia e Gontijo. Outro ponto de embarque e desembarque é o Posto Trevão. Na região do Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna, próximo à BR365, existe uma pista de pouso municipal que recebe aeronaves de pequeno porte.
Educação no município
A educação é assegurada em Monte Alegre de Minas pela atuação das escolas: Escola Municipal Márcia Caetano Alves, Escola Municipal Antenor Airosa Machado, Núcleo Municipal de Pré-Escolar Miraci de Souza Mesquita, Escola Municipal Rural Leandro Marquês, Escola Municipal Rural Fernando Vilela, Escola Municipal Rural Nicanor Parreira, Escola Municipal Rural José Cabral Vieira, Escola Estadual Tancredo Martins, Escola Estadual de Monte Alegre de Minas 1º e 2º Graus, Escola Estadual Eufrausina da Costa Araújo, Escola estadual Professor Alex Machado Knippel, Centro Educacional Gilda Araújo Mendonça (APAE), Centro Educacional Montealegrense (CEM), Educandário Arco-Íris, Casa Escola Primeiros Passos e cursinho pré-vestibular, ministrado aos sábados pela equipe de professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Cultura Esporte, Lazer e Turismo em Monte Alegre de Minas
A Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa representa um suporte a mais para o bom funcionamento das escolas locais como local de pesquisa para estudantes de toda rede de ensino. Como fontes de enriquecimento cultural existem ainda os espaços: Centro Municipal de Artes (CEMA), Centro de Multi Uso Célia Carvalho Diniz, no bairro Flamengo, Centro de Multi Uso Giovana Russo Mendonça (GIGI), no bairro Jardim Eldorado.
O lazer, a cultura e as práticas esportivas têm como espaço referência: Clube Campestre do Buriti; Parque de Exposições Alysson Paulinelli; Clube Literário e Recreativo; Clube da Associação Beneficente Bárbara Heliodora; Espaço Cultural Adélia Alvim; dois Ginásios Poliesportivos; duas quadras cobertas; além de outras quadras espalhadas pelos bairros da cidade e zona rural; Conjunto Arquitetônico e Urbanístico Igreja Matriz de são Francisco das Chagas e Praças Nicanor Parreira e Luiz Dutra Alvim; Praça Derly Vilela Parreira (Cívica); Praça do Caboclo; Praça Inconfidência; são palcos temporários de atividades de cultura e lazer. Atualmente são promovidos torneios de truco, Campeonato Regional de Futebol, Torneios Municipais de Futebol de Grama e Salão.
Na Praça Nicanor Parreira acontece a cada quinze dias a Feira Cultural e Artesanal de Monte Alegre de Minas, no entorno do Coreto Municipal Maestro Hildebrando dos Reis. Nesta Feira os artesãos da cidade expõem seus produtos para venda e os grupos artísticos da cidade se apresentam como academias de dança, banda municipal, grupos teatrais, rodas de capoeira, alunos de música, bem como a beleza da fonte luminosa.
Monte Alegre de Minas é uma cidade festiva, que movimenta a comunidade local e cidades vizinhas. As festas religiosas são as mais antigas e tradicionais. Grande parte destas festas existe desde a fundação do município. São elas: Festa de São Sebastião de 11 a 20 de janeiro, na Igreja Matriz de São Francisco das Chagas; Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, de 4 a 14 de maio, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, com grupos de Congadas e Moçambiques; Festa do Divino Pai Eterno, no primeiro domingo de junho, na Capela Alto Alegre no Lobo; Festa de São João Batista, no segundo domingo de julho, na Capela de São João Batista, no Povoado dos Garcias; Festa do Divino Pai Eterno, no terceiro domingo de julho, na Capela da Prata, na Skalada; Festa de Nossa Senhora do Desterro, no segundo domingo de setembro, no Povoado dos Garcias; Festa de Nossa Senhora das Graças, no terceiro domingo de setembro na Capela da Prata; Festa de São Francisco das Chagas (padroeiro da cidade), dia 4 de outubro, na Igreja Matriz São Francisco das Chagas; Festa de Nossa Senhora Aparecida e Santa Terezinha, dia 17 de outubro, na Capela Alto Alegre no Lobo; Folias de Reis durante todo o ano, conforme as companhias de Folia. Existem outras festas como carnaval, em fevereiro, a Exposição e Feira Agropecuária em abril, as festas juninas e o aniversário da cidade em 16 de setembro, que igualmente movimentam a “Terra da Felicidade”.
Outro evento considerado tradicional na cidade são as feiras: Feira Agropecuária acima citada, feira livre dominical, com apresentações populares e as feiras de conhecimento promovidas pelas escolas.
Monte Alegre de Minas é uma cidade com muitos artistas, artesãos e músicos, portanto vale ressaltar a tradicional Banda Municipal Maestro Victal Reis. Fundada em 1920, pelo maestro Hildebrando Reis, a banda acompanha e já abrilhantou grande parte das manifestações culturais montealegrenses.
O município possui atrativos turísticos de importância que estendem seus limites geográficos, como o Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna, local onde a Prefeitura Municipal está construindo um Museu, inúmeras cachoeiras, a gastronomia derivada da abacaxicultura, as festas folclóricas e agropecuárias. Para quem transita pela BR 365, existe à disposição barracas de artesanatos e o “famoso” pastel do Posto Trevão.
A Festa de Congada é marcante e Tradicional em Monte Alegre de Minas. Acontece anualmente com início no sábado de aleluia encerrando-se oficialmente no dia 14 de maio. O dia mais marcante da festa é no dia 13 de maio com alvorada, desfile dos ternos de congadas e moçambiques, missa procissão. No encerramento em 14 de maio, acontece encontro dos ternos, missa, trança de fitas, descida do mastro e despedidas. Em Monte Alegre existem 10 ternos sendo eles 06 Congados e 04 moçambiques.
O Hino Municipal
O Hino Municipal de Monte Alegre de Minas, denominado “Terra da Felicidade” foi composto com letra e música pelo Maestro e Músico Antônio Luiz de Souza, conhecido na cidade como Professor Tonato
O hino foi oficializado como Hino Oficial de Monte Alegre de Minas, através da LEI 1.659 DE 30 DE DEZEMBRO DE 1992.
Terra da Felicidade é executado em eventos solenes e tocado, conforme Regimento Interno da Banda Municipal Maestro Victal Reis, em todas as apresentações da Banda Municipal, com arranjo apropriado para Bandas elaborado pelo Maestro Leonardo Augusto Reis, no início ou término de cada apresentação, realizadas em Monte Alegre de Minas, solenes ou não.
TERRA DA FELICIDADE
Antônio Luiz de Souza (PROFESSOR TONATO)
DIZEM QUE A FELICIDADE,
CERTA VEZ SAIU A PROCURAR,
DE CIDADE, EM CIDADE,
UMA DELAS PRA MORAR.
E CHEGANDO AQUI UM DIA,
PERNOITOU PRA DESCANSAR,
E VENDO TANTA PAZ, TANTA ALEGRIA,
RESOLVEU AQUI FICAR.
MONTE ALEGRE, MONTE ALEGRE,
PORQUE É QUE TODA GENTE TE QUER BEM
TENS UM QUÊ, UM QUÊ DE DIFERENTE,
QUE NENHUMA OUTRA TERRA TEM.
TUAS NOITES LINDAS, SÃO MAIS LINDAS,
É MAIS LINDO O TEU LUAR,
FOI POR ISSO QUE A FELICIDADE,
TE ESCOLHEU PRA MORAR.
Texto Retirado dos Arquivos do Departamento Municipal de Cultura e Turismo
Assinar:
Comentários (Atom)