A história deste Bem se confunde com a história política de Monte Alegre, em especial no que diz respeito ao seu Processo de emancipação política e instalação da Câmara Municipal de Monte Alegre.
Antônio Fernandes Villela de Andrade foi vereador do município de Prata durante o processo de emancipação política de Monte Alegre em 16 de setembro de 1870 e não se pode esquecer que Monte Alegre pertencia à Prata e por este motivo, acredita-se que Antônio Fernandes já residia em Monte Alegre e já teria construído seu casarão quando a cidade foi emancipada. Após este ato, o Presidente da Câmara Municipal de Prata, vereador Joaquim Fernandes de Rezende nomeou o vereador Antônio Fernandes Villela de Andrade para ser Presidente da Câmara de Monte Alegre, sendo esta Instalada em 16 de novembro de 1872.
Outros pesquisadores acreditam que com este cargo, Antônio Fernandes se instala com a família, neste período, em Monte Alegre e assim, constrói sua residência, hoje Tombada como Patrimônio Histórico. Desta forma, acredita-se que o referido Imóvel tenha cerca de 137 anos aproximadamente. Porém, a atual moradora, Elba Villela Parreira, bisneta de Antônio Fernandes, assim como seu irmão José Gladstone Villela Parreira acredita que este já morava em Monte Alegre mesmo sendo vereador no município de Prata, uma vez que Monte Alegre pertencia ao município de Prata e desta forma, Elba Villela acredita que o imóvel foi construído em aproximadamente 1865 e teria assim, quase 145 anos.
Indícios de esta hipótese ser verdadeira é que Antônio Fernandes Villela nasceu em Monte Alegre em 1835 segundo registros de fundação da Loja Maçônica Estrela Montealegrense.
Desta forma, o Bem tem entre 137 a 150 anos de construção, não se sabe ao certo. Há pesquisadores que atribui o período de 1850 como período da construção, considerando o estilo arquitetônico. Certo é que a falta de um documento impede a comprovação real e fortalecem as divergências de pensamentos entre familiares e pesquisadores. O Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico em pesquisa, após dados documentais da Loja Maçônica e relatos da família, afirma que realmente Antônio Fernandes nasceu em Monte Alegre em 1835 e aqui residiu, construindo o Imóvel em 1865. O período de 1850 a 1865 é curto e acredita-se que a característica arquitetônica não teria sofrido muitas alterações com fortes características Coloniais.
A ala residencial da edificação, sempre foi utilizada como residência, porém contém ainda outra ala que no passado foi destinada a comércio.
Neste prédio residiu o seu construtor, Antônio Fernandes Villela, primeiro homem público de Monte alegre de Minas até sua morte, em 1907.
Antônio Fernandes Villela de Andrade foi um antigo e influente político do município que esteve no poder no período de 1872 a 1876 e reeleito no período de 1885 a 1889. Antônio Villela foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal (Agente executivo) do município.
Atualmente, são também os descendentes de Antônio Fernandes Villela de Andrade, proprietários do imóvel por sucessão, que ali residem, inclusive utilizando como parte da residência a ala destinada anteriormente ao uso comercial.
Desde a construção da casa, em todo o cômodo comercial, com cerca de 200 m² de área útil, achava-se instalada uma loja de gêneros diversos, cuja administração era do proprietário do imóvel. Posteriormente, a partir de 1925, instalou-se ali, uma farmácia, de propriedade do sucessor de Antônio Fernandes Villela de Andrade, e a qual ali permaneceu por cerca de 30 anos.
Uma neta de Antônio Fernandes Villela, senhora Dulce Villela Parreira, casou-se com Nicanor Parreira que também foi um influente político da cidade e residente do casarão. Nicanor Parreira, que era farmacêutico, foi Agente Executivo no período de 1927 a 1929. Em 1930 os Agentes Executivos tornaram-se prefeitos e Nicanor Parreira foi o primeiro prefeito de Monte Alegre de Minas e ficou no poder no período de 1930 a 1945, reeleito no período de março a dezembro de 1946 e volta à prefeitura no período de 1948 a 1951. Após todos estes anos no executivo, Nicanor Parreira volta a ser vereador até a década de 60.
O primeiro prefeito da cidade, Nicanor Parreira, comprou o Bem de seu sogro e residiu neste prédio com sua família. Nicanor além de manter no prédio a sua farmácia, transformou o prédio em anexo da Prefeitura Municipal na década de 30, onde funcionavam gabinetes e locais de atendimentos públicos.
Uma das filhas de Nicanor Parreira, senhora Laércia Parreira casou-se com o senhor Militão Flávio Soares e o casal instalou, noutros cômodos anexos ao casarão, os Correios e Telégrafos da União.
Portanto, na história do Bem Cultural, este Casarão serviu de residência da Família Villela Parreira, Prefeitura Municipal, farmácia e Correios e Telégrafos. Todas as utilizações foram para atender interesses profissionais da Família Villela Parreira.
O referido Bem Cultural é uma das mais antigas edificações da cidade com arquitetura de característica Colonial.
Com esta influência política do primeiro proprietário, Antônio Fernandes Villela de Andrade e o segundo proprietário, Nicanor Parreira e ainda, sabendo que este casarão já funcionou como prefeitura, comércio e Correios, durante estes anos, tornam-se visíveis as conclusões de que a edificação foi local de grandes decisões políticas e históricas de Monte Alegre de Minas, ou até mesmo regionais.
Um acontecimento cômico e histórico acontecido no Casarão e que foi motivo de lembrança aos antigos instrumentistas da Banda de música da cidade, fundada em 1920 pelo Maestro Hildebrando dos Reis, foi na década de 30 quando o Maestro Hildebrando, muito amigo do Prefeito e irmãos da maçonaria, resolveu levar a Banda de Música para prestigiar o amigo Prefeito Nicanor Parreira em data de seu aniversário. Nesta ocasião, a banda tocando na porta de entrada do casarão, o Prefeito Nicanor Parreira convidou os músicos a entrarem no Casarão tocando, com satisfação pela homenagem. Ao entrarem, um dos músicos, conhecido como Américo Fogueteiro, fabricante de fogos de artifícios, e deficiente auditivo, tocando o Bumbo, escorregou no tapete da sala, levando uma grande queda. Porém, para não permitir que a Banda parasse de tocar logo na música em homenagem ao Prefeito, permaneceu ao chão tocando. O fato é que os demais músicos não conseguiram continuar a tocar e todos riram bastante. Porém, posteriormente tocaram outras músicas e foram muito bem recebidos pelo Prefeito Municipal Nicanor Parreira, inclusive voltaram em outras ocasiões. Este ato foi relatado pelo Maestro Augusto Reis que se lembra do episódio emocionado, uma vez que era muito jovem e músico da Banda fundada por seu pai.
Atualmente reside no imóvel uma filha de Nicanor Parreira, senhora Elba Vilela Parreira de Sousa, com seu esposo Divino Souza, portanto bisneta do primeiro proprietário do Bem.
Um dos filhos de Nicanor Parreira, Dr. José Gladstone Vilela Parreira responsabiliza-se pelas despesas de tributos e manutenção do imóvel, que a partir de agora, por Lei, o Imóvel passa a ser isento de tributos municipais (IPTU) em virtude do Tombamento. Residente na capital mineira, Belo Horizonte, Dr. Gladstone visita constantemente Monte Alegre de Minas hospedando-se no Casarão da família. Recentemente Dr. Gladstone proporcionou ao Casarão uma reforma na fachada e no interior do prédio com uma pintura e restauro do imóvel.
Durante nossa pesquisa, encontramos inúmeros dados históricos marcantes para a sociedade monte alegrense, contemporâneos aos períodos de atuação política dos proprietários do Bem e, considerando que muitos destes dados históricos teriam sido elaborados e até mesmo firmados no interior deste Imóvel, julgamos apropriado para este Dossiê mencionar as passagens históricas e políticas nos períodos de gestão de Antônio Fernandes Vilela de Andrade e Nicanor Parreira. Os leitores poderão ver tais registros através do Dossiê de Tombamento na íntegra que será publicado na Biblioteca Municipal.
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