A edificação foi erguida com a finalidade de abrigar o Fórum de Monte Alegre de Minas. Nela encontra-se ainda hoje, uma placa com os seguintes dizeres: “Construtor Joaquim F. Cruz, 07 de setembro de 1.922.” Porém consta na história do Município, por relatos, que o Arquiteto Prático Luiz Bianchi, teria projetado este prédio por volta de 1.909.
Com estas informações, conclui-se que o projeto foi elaborado pelo Italiano Luiz Bianchi no período da Administração Municipal do Agente Executivo Arlindo Parreira que esteve no cargo somente neste exercício. As razões que levaram este projeto durar 13 anos entre a projeção arquitetônica e a conclusão da obra pelo Construtor português Joaquim Cruz são desconhecidas ou tornaram-se esquecidas por falta de preservação histórica durante estes anos, afinal, estão completando 100 anos desta Projeção e não se registrou tais informações.
O Agente executivo que inaugurou a obra em 07 de setembro de 1922 foi José Ribeiro Guimarães Sobrinho que esteve no cargo de Agente Executivo no período de 1919 a 1922.
Na verdade, o imóvel foi inaugurado para o Poder Judiciário Municipal, inclusive, como era característica comum da arquitetura eclética com predominância neoclássica, existe na fachada um emblema do símbolo da Justiça, porém o prédio serviu como Paço Municipal de 1922 a 1936, onde funcionava o Poder Executivo e Legislativo conjuntamente e o Poder Judiciário. Até o ano de 1936, na Fachada do Imóvel existia a inscrição “Paço Municipal” e a partir deste ano mudou-se a inscrição para “Fórum”.
Monte Alegre que fora elevada à categoria de vila (corresponde à emancipação política, em 16 de setembro de 1870), no início de 1936 preparava-se para a instalação da Comarca. A ata da 8ª sessão extraordinária, de 10 de março de 1936, registra a discussão e aprovação pelo Conselho da doação do prédio da Prefeitura ao Estado para fins de instalação da Comarca. “Essa decisão foi transformada no Decreto de n° 83, de 31 de março de 1936 que “Doa ao Estado o prédio “Paço Municipal”, cujo artigo primeiro assim determina: “Fica a Prefeitura autorizada a doar ao Estado de Minas Gerais, por escritura pública, o prédio “Paço Municipal, onde funcionarão as sessões e do foro local, para a instalação da comarca.
Com a doação do prédio, o Estado autorizou a instalação da comarca e os preparativos para o grande dia tiveram início. O Decreto n° 84, de 30 de abril de 1936 estabelece: “O Prefeito do Município de Monte Alegre, usando de suas atribuições e levando em consideração que o dia de amanhã dá ao município a sua independência judiciária, com a instalação de sua comarca, conforme o decreto estadual n° 371 de 22 deste
Resolve:
Considerar o dia de amanhã, 30 de abril de 1936, feriado municipal.
Prefeitura Municipal de Monte Alegre, 29 de abril de 1936.
Nicanor Parreira, prefeito
Naylor Ottoni, secretário.”
A euforia oficial era tão grande que até os contribuintes foram beneficiados com a instalação da Comarca. Como era o último dia para pagamento de impostos sem multa, o prazo foi prorrogado para até 15 de maio (Decreto n° 85, de 29 de abril de 1936, Livro A, de Decretos e Leis, pág. 74, verso).
O Livro B, de Decretos e Leis contém, nas fls. 28 a 30 a “Acta da instalação da Comarca”, datada de 30 de abril de 1936, com minuciosos detalhes. A mesa foi presidida por “Abbadio José Leite, como primeiro juiz de Paz do districto da cidade”. Estiveram presentes juízes de Uberlândia e de Ituiutaba. “O exmo. Sr. Dr. Governador do Estado fez-se representar pelo prefeito local Sr. Nicanor Parreira, que exibiu ao presidente da mesa a delegação em despacho telegraphico (sic).”
Representantes de Ituiutaba, Prata, Frutal e Uberlândia participaram da festa dos montealegrenses pela instalação da comarca. Muito “ufanismo.”. Após declarar instalada a comarca (...) as suas últimas palavras foram abafadas pelos sons do hino nacional e muitos e frenéticos appalusos.” O orador oficial era o Sr. Tolendal Bittencourt.
Foi prestada homenagem ao Governador do Estado Benedito Valadares, sendo “desvelado” o seu retrato. A professora Angélica Alessandri enalteceu os “festejos, assim como as qualidades de inteligência e visão administrativa do Sr. Governador. A oradora feliz nas suas expressões, foi muito aplaudida”(sic). No descerramento do retrato do ex-juiz do Termo, Sr. Arnaldo Maria “falou com muito entusiasmo a talentosa professora Maria Antonieta que foi delirantemente applaudida.”
A participação de Angélica e Maria Antonieta Alessandri marcavam o início da atuação feminina nos eventos políticos e, como se pode ver, brilhantemente. A festa contou, ainda, com a corporação musical da cidade, comandada por Hildebrando Reis.
A ata da 31ª sessão ordinária da “Prefeitura Municipal, de 26 de julho de 1936, traz uma novidade interessante: “Da presidência o Sr. Prefeito expoz aos snrs. Conselheiros que, amanhã, findará o mandato da gestão da presente Prefeitura (grifo nosso) e Conselho Consultivo, entrando o município no período constitucional.” O prefeito congratulou com os conselheiros o novo período constitucional e agradeceu a participação de todos.
De se notar que a democratização do município foi muito tardia, tendo em, vista que a Constituição fora promulgada em 16 de julho de 1934 e só dois anos após ocorria seu reflexo na instituição municipal.
Tal fato certamente aconteceu pela influência de o município contar com um Poder Judiciário mais atuante e presente, o que nota a importância de acontecimentos no interior deste imóvel agora reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural do município.
Durante a Revolução de 1930, no “Paço Municipal”, o local de recrutamento de revolucionários, bem como ponto de partida e chegada de combatentes de monte alegre era exatamente neste Bem Cultural. O líder Revolucionário de Monte Alegre foi o senhor Ataíde de Souza.
No início da década de 70 o prédio sofreu terrível intervenção em sua fachada onde foram retiradas suas janelas originais de madeira, verticais e colocadas outras metálicas, quadradas com total descaracterização do Bem.
O fato é que este prédio foi utilizado como Fórum até 1.980, quando o mesmo recebeu nova sede na Praça Cívica, na gestão do Prefeito Municipal Ademar Delfino de Moura, atual vice prefeito de Monte Alegre de Minas, que construiu novo Prédio para abrigar o Poder Judiciário de Monte Alegre de Minas.
Com a nova construção, o antigo prédio foi desativado e permaneceu em pleno desuso até 1.989, servindo apenas de depósito da Prefeitura Municipal e totalmente danificado quando, na gestão do então Prefeito Municipal, Eurípedes Lima Andreani a edificação passou a ser a Sede do Serviço Municipal de Cultura e Esporte, pela Prefeitura de Monte Alegre de Minas. Neste período, a descaracterização foi com escritas Institucionais na fachada frontal do Bem.
Em 1992, o Prédio servia de depósito de instrumentos de percussão da Fanfarra Municipal e foram colocados vidros amarelos e azuis em suas janelas e portas da fachada, cores políticas adotadas pelo Prefeito Andreani em sua gestão.
No ano de 1993, na gestão do então Prefeito Municipal Dr. Ciro de Araújo Mendonça, o prédio sofreu uma reforma interna e passou a abrigar a Secretaria Municipal de Educação e Transporte, período em que seu vice prefeito, Dr. Hugo dos Reis Prudente atuou como secretário Municipal de Educação de Monte Alegre de Minas.
Em 2002, gestão do prefeito Aécio Dantas de Souza, com o Tombamento da Fachada da Escola Estadual Tancredo Martins, outra obra Projetada por Luiz Bianchi e construída por Joaquim Cruz, o Antigo Fórum recebeu pintura nova por estar na área de entorno daquele Bem recém Tombado como Patrimônio Histórico e Cultural.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Monte Alegre de Minas Inventariou este Bem em 2002, inclusive foi proposto para Tombamento, porém por questões político-administrativas enfrentadas pela Administração municipal da gestão 2001 - 2004, o processo de Tombamento não saiu da fase de aprovação e registro em ata, sendo o processo efetivado somente em 2008, pela atual administração municipal e Conselho do Patrimônio Cultural, através do Departamento Municipal de Cultura e Turismo.
Neste período, o Prefeito Municipal Aécio Dantas tirou a Secretaria de Educação do prédio e transferiu para este Bem a Secretaria Municipal de Agricultura e setor de Tributos.
Em 2005, com a posse do Prefeito Municipal Dr. Último Bittencourt de Freitas e com a nomeação da nova Secretária Municipal de Educação, Eliana Alessandri Reis de Faria, esta iniciou uma campanha de valorização desta edificação.
Seu primeiro ato de valorização do Bem foi transferir novamente a Sede da Secretaria Municipal de Educação para o “Antigo Fórum” e em seguida, fez da imagem deste prédio a capa dos cadernos a serem distribuídos nas escolas municipais aos alunos e professores. Além da imagem deste Bem na capa, consta na contra capa o Hino Oficial de Monte Alegre de Minas – Terra da Felicidade, para que os alunos possam ter mais acesso ao seu patrimônio Cultural. Estes cadernos são distribuídos anualmente desde 2005 com a mesma imagem do Bem Cultural, completando cinco exercícios ininterruptos de distribuição gratuita.
A Secretária Municipal de Educação, Eliana Alessandri Reis é sobrinha das professoras Maria Antonieta Alessandri e Silvia Alessandri, encarregadas pela organização da solenidade que transformou o município em Comarca, evento este que marcou a história Jurídica da cidade em 1936, com a doação deste imóvel ao estado para se estabelecer a transformação de Vila para Comarca.
A mais recente descaracterização do Bem foi recentemente em 2008 com a necessidade de criação de uma rampa de acessibilidade, porém procurou-se descaracterizar o mínimo possível com uma rampa e corrimão bastante singelos que não agridam a fachada do prédio atrapalhando sua visibilidade.
O importante no histórico deste Bem é que o mesmo foi projetado por um Arquiteto Prático de nacionalidade Italiana que trouxe da Europa suas características arquitetônicas em todos os Bens que projetou, bem como o Construtor de nacionalidade portuguesa que completou a visão européia do arquiteto.
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