terça-feira, 15 de março de 2011

Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, Praça Nicanor Parreira e Praça Luis Dutra Alvim

Não se sabe com exatidão a data de construção da Igreja Matriz. O que se sabe é que nos primeiros anos do Século XIX foram traçadas as primeiras ruas da futura cidade, a quadra para a Necrópole e a Praça onde foi erguida a Capela de São Francisco das Chagas, o padroeiro do povoado. Em 1820 iniciou-se a construção de edificações residenciais em torno da Igreja, já construída.
O curato de São Francisco das Chagas de Monte Alegre, subordinado à MFoi em seguida elevada a Paróquia pela lei nº 247 de julho de 1943. O primeiro vigário que oficiou nesta Igreja foi o PE Quirino João Evangelista, nomeado em 13 de dezembro de 1870.
Segue descrição da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, segundo o historiador e romancista Alfredo D’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que se hospedou em Monte Alegre de Minas em 1865, em expedição ao Mato Grosso e Paraguai:

“Monte Alegre um lugarzinho simpático de aspecto realmente risonho. Terá seus 400 ou 500 habitantes, algumas casas bastante boas, caiadas e de telhas. A Matriz é sumamente tosca. Diverti-me em tirara uma visita. \muito pobrezinha com suas torres e sua única porta que dá acesso a uma escadinha. O interior também é de pobreza extrema. Está bem de acordo com o movimento quase nulo do lugarejo, de que é o mais importante edifício a que animam umas tropas de cargueiros que por ali transitam.”


O primeiro vigário do Século XX, por provisão de 24 de maio de 1900, foi o Pe. Antônio Savastano. Neste mesmo ano, com a responsabilidade dos construtores contratados Fioravante Blarazinni, Francisco Ramela, e Eduardo Boroni, fez-se a remodelação da velha matriz, erguendo-se na frente do Templo as duas suntuosas torres, e dando ao edifício a característica neogótica, presente ainda em suas fachadas. Na seqüência foi instalado em uma das torres o Relógio Público às expensas da Municipalidade, estando exercendo o cargo de Presidente e Agente Executivo neste período o Sr. João Afonso da Silva, que governou até 1903.
Por volta de 1920 foi feita uma reforma que demoliu toda a nave da Igreja, restando apenas as torres, conforme vemos na figura XX. Não se sabe a data exata nem o motivo da reforma, devido a um incêndio nos arquivos paroquiais.
Em 1970, o Município alcança o seu primeiro centenário de emancipação política. Neste mesmo ano, a Igreja passa por mais uma reforma, na qual são ampliadas e remodeladas as duas naves laterais, dando a forma à qual a Igreja se encontra hoje.
Na década de 80 é realizada outra reforma, na qual as paredes laterais são demolidas e construídas novamente. Esta reforma se fez necessária, pois a estrutura, até então de madeira, estava cedendo e as paredes se abrindo, e a Igreja corria risco de desabamento. Foi feita uma reconstrução da Igreja, mantendo exatamente as mesmas características formais e adornos. Algumas janelas foram mantidas, e foram encomendadas janelas idênticas para colocar no lugar das que não puderam ser reaproveitadas, para manter a identidade visual da Igreja.
No ano de 2004 foi realizada uma reforma onde foi feita a pintura de todo o prédio e a aplicação de revestimentos cerâmicos em parte de seu interior.
No entorno da Igreja de São Francisco das Chagas aconteciam manifestações sociais, culturais e econômicas, o que deu origem à duas pracinhas que abrigavam visitantes e tropeiros. A princípio, estes espaços eram configurados como largos, ou simples locais de passagem. Já no inicio do século XX foi conformada a primeira das duas praças, situada em frente à Matriz, com o nome de Praça Getúlio Vargas, que era dividida por uma rua em duas partes, sendo que na parte oposta à Igreja situava-se um coreto e um chafariz de concreto, os quais perduraram até 1970. O nome da Praça foi modificado de Praça Getulio Vargas para Praça Nicanor Parreira segundo a Lei nº 477 de 22 de Agosto de 1963.
No ano de 1966 foi elaborado um projeto pelo Arquiteto João Jorge Cury, residente na cidade de Uberlândia – MG, a pedido do então prefeito Paulo Bernardes, com o intuito de revitalizar a Praça Nicanor Parreira. O projeto foi elaborado sobre as premissas do modernismo, num período subseqüente à construção de Brasília, época em que foram revitalizadas várias outras praças na região pelo mesmo arquiteto, como as Praças Tubal Vilela e Nossa Senhora Aparecida em Uberlândia – MG, com o mesmo estilo arquitetônico. Esta obra causou uma grande polemica entre a população local, uma vez que o projeto suprime grande parte da vegetação existente, fato lembrado ainda hoje pela população. A reforma foi autorizada pela Lei nº 620 de 2 de Agosto de 1966.
O projeto feito por João Jorge Cury une as duas partes da praça, eliminando a rua que as separavam. Na parte mais próxima à Igreja foi construída uma fonte luminosa e um grande jardim em seu entorno. Já na outra parte, foi prevista a construção de uma concha acústica situada próxima ao local de onde foi revestido com pedras portuguesas nas cores preto e branco, retiradas do Rio das Pedras, na região da cidade (Fonte: Professor Dante Bernardes) com a paginação em forma de losango branco sobre fundo preto.
No ano de 1990 o então prefeito Eurípedes Lima Andreani realiza obras de reforma na praça, que, novamente a descaracterizam. Foi criado sobre a fundação da concha acústica prevista no projeto anterior um palanque, que interrompe a vista que se tinha da praça e da igreja a partir de uma das entradas da cidade pela BR-365 através da Rua Coronel Vilela até o início da praça no extremo oposto à Matriz. Em frente a este palanque são colocadas várias fileiras de bancos e os canteiros cercados por postes de concreto pintados de branco atarantados por correntes.
A partir de então a praça recebe um novo uso, passando a ser usada como local de manifestações públicas e apresentações culturais.
Com relação à Praça Luiz Dutra Alvim, sua conformação se deu nos anos 50, onde até então se situava um largo, chamado Rui Barbosa, que se abrigava em seu centro um poste de iluminação, ainda hoje preservado, porém em outro local. Foi construída então a praça em forma triangular, com projeto de autor desconhecido.
Sua construção foi financiada pela população local, de acordo com a Sra. Horades Parreira Guerra, residente na Praça Nicanor Parreira: “O Sr. José de Freitas, presidente do CrediReal angariou fundos para a construção da praça. Me lembro que meu pai contribuiu com dinheiro para sua construção”.
O nome da praça foi alterado de Rui Barbosa para Luiz Dutra Alvim de acordo com a Lei nº 623 de 19 de Outubro de 1966, em homenagem póstuma ao ex-prefeito. Em sua implantação inicial, a praça contava com um chafariz em seu centro e após sua mudança de nome foi colocado um busto do ex-prefeito Luiz Dutra Alvim na extremidade do triângulo, voltado para a Avenida XVI de Setembro, principal avenida da cidade.
Em 1987, na administração do prefeito Virgilio Galeno de Faria Alvim, ela é quase completamente descaracterizada, restando apenas o busto. No local onde se situava o chafariz foi erguida uma construção em forma cilíndrica, feita com tijolos à vista, coberta com um prato de concreto aparente e que foi destinada ao uso de jardineira.
Como se vê, a paisagem urbana do local no decorrer dos anos foi brutalmente modificada no decorrer dos anos, tanto que a ultima reforma realizada, iniciada no ano de 2006 e ainda em andamento, se constituiu em uma reconstrução, com a realização de terraplanagem nas duas praças, mudança do piso para blocos de concreto intertravados, retirada das arvores plantadas anteriormente para plantação de palmeiras, colocação de um sistema de caixas de som nas praças, a construção de um novo coreto em lugar próximo ao do antigo coreto na Praça Nicanor Parreira, a construção de um pergolado e um quiosque para lanchonete na Praça Luiz Dutra Alvim, e está prevista a construção de uma fonte em frente à Igreja, projeto ainda em execução. Esta obra, realizada na gestão do prefeito Último Bitencourt de Freitas, está sendo realizada através de verbas do Ministério do Turismo, além da contrapartida financeira com recursos próprios da prefeitura. O projeto mais recente das praças se encontra anexo. Não há dados exatos sobre datas e projetos anteriores, pois desapareceram vários documentos dos arquivos da prefeitura municipal durante a administração 1989-1992.



Texto Retirado do Dossiê de Tombamento nº 3 (Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, Praça Nicanor Parreira e Praça Luis Dutra Alvim) disponível para consulta na sede do Departamento Municipal de Cultura e Turismo

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